Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Ausência


A vaga vazia parecia imensa
mas nenhum outro carro cabia ali.

Sábado, 11 de Julho de 2009

Patch musical

Sábado de sol escaldante e o Media Player escarafunchando meu notebook em busca de combinações que possam traduzir esta mulher que já passou dos 30 mas não consegue sair da adolescência...
Comecei ouvindo Sharing the night together e fui subitamente transportada a outras épocas. Espinhas, insegurança, culotes, óculos e paixonites elevadas ao cubo. Tertúlias (ai, me entreguei!!), banhos demorados e expectativas elevadíssimas. Muitas. Todas as possíveis. Porque isso é adolescer. E foi tão bom!!
E enquanto o Media Player ia avançando por uma seleção no mínimo inusitada, minha adolescência transformou-se e eu cresci... Foi quando me descobri humana e passível de erros (ah, as minhas ilusões de perfeição se esvaíram de forma dolorosa e definitiva...) e por mais difícil que seja pensar a respeito, errar me tornou mais adulta e muito mais tolerante. Only human. Eu, você e todo mundo.
Aretha Franklin cantou a angústia de querer parar o tempo quando tudo fora daquele momento perdia a importância. E muitas vezes me vi, como ela, running out of time, até chegar à conclusão que o melhor mesmo era deixar de prestar atenção ao tempo, porque ele nunca seria suficiente pra viver tudo o que eu queria. Talvez seja esse o better understanding que ela queria achar, não sei.
A Cher disse que o amor machuca, mas o que seria da vida sem ele? Love hurts, sim, quando não correspondido, mas eu passei por essa fase de achar que love is just a lie. Sobrevivi. Mais que isso. Conquistei.
Faz tempo que ouvi pela primeira vez Carole King cantar So far away, mas só recentemente percebi o significado dessa falta que as pessoas nos fazem, e ela passou a fazer parte da minha seleção musical. Porque quando a saudade de tudo e de todos arrebatou esse coração escandaloso a música me tocou. Doesn’t anybody stay in one place anymore? It would be so fine to see your face in my door!... Quem nunca olhou pra traz e sentiu falta do que não volta mais (ou dos que não cruzarão outras vezes nossos caminhos?)
Don’t tell me you’re not in Love! Juro que eu estou. E por mais estranho que esse country possa parecer no meio da minha seleção, presta atenção!... Você provavelmente está in love. tanto ou mais que eu. E mesmo que esse amor não caiba na sua vida agora, estar in love é booooom demais!!
Ficar no corpo como tatuagem, Chico entrando nos meus ouvidos como bálsamo, curando as dores que todos trazemos, tatuando as palavras como eu queria tatuar as minhas, mas nem todo mundo gosta do que eu tenho pra dizer. E se eu digo mesmo assim, é porque a vida abunda em mim, transborda por meus poros e eu acabo “nem aí” pro que os outros pensam. Porque, Já que tanto faz ser ou não pra valer, como na canção que me embala agora, melhor é ser de uma vez, né?...

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Saudosa


O acaso folheou as páginas
do livro que tanto reli.

Vestiu-me um meio sorriso
a palavra que pulsava.

Do sonho que se desfez
resta-me ainda o registro
daquilo que me arrebatou.

Não é mentira que eu sou feliz.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Das confissões dela...






















Do que era
nem sobrou traço
resquício
lembrança
qualquer promessa

O que foi vício
tempestade arrasadora
vendaval desgovernado
perdeu-se no caminho escuro
das muitas esperas pelo dia certo.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

No meu radinho















O que será que te excita?
Doces Cariocas

O que será que te anima?
O que será que te anima?
Bonecos de Vitalino
ou porcelanas da China?

O que será que te domina?
O que será que te domina?
Exércitos de Roma
ou a bomba de Hiroshima?

O que será que te balança?
O que será que te balança?
O xote de Don Quixote
ou o can-can que a França dança?

O que será que te adormece?
O que será que te adormece?
Mágicas no cabelo
ou um abraço que te aquece?

O que será que te excita?
O que será que te excita?
A cachaça Ipióca
ou o tinto da Periquita?

O que será que te dá vida?
O que será que te dá vida?
A saudade da chegada
ou a certeza da partida?



(E você? Sabe o que te excita?...)

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Da moça de branco




















Aquilo que não é vaidade
rói as entranhas da moça de branco

Entre as vestes esvoaçantes
traz a luz suave de quem não sofre
os olhos curiosos de quem fantasia
o coração apertado de quem não pode
o frio na espinha de quem não teme

Abraça a hora secreta
sentindo os segundos escorrerem
pelas costas suadas.

Na noite de vento frio
nem tudo é palavra.
Presta atenção.

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

O que de fato importa...

"Não me interessa saber o que você faz para ganhar a vida. Quero saber o que você deseja ardentemente, se ousa sonhar em atender aquilo pelo qual seu coração anseia. Não me interessa saber a sua idade. Quero saber se você se arriscará a parecer um tolo por amor, por sonhos, pela aventura de estar vivo. Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua. Quero saber se tocou o âmago de sua dor, se as traições da vida o abriram ou se você se tornou murcho e fechado por medo de mais dor! Quero saber se pode suportar a dor, minha, ou sua, sem procurar escondê-la, reprimi-la ou narcotizá-la. Quero saber se você pode aceitar alegria minha ou sua; se pode dançar com abandono e deixar que o êxtase o domine até as pontas dos dedos das mãos e dos pés, sem nos dizer para termos cautela, sermos realistas, ou nos lembrarmos das limitações de sermos humanos. Não me interessa se a história que me conta é a verdade. Quero saber se consegue desapontar outra pessoa para ser autêntico consigo mesmo, se pode suportar a acusação de traição e não trair a sua alma. Quero saber se você pode ver beleza mesmo que ela não seja bonita todos os dias, e se pode buscar a origem de sua vida na presença de Deus. quero saber se você pode viver com o fracasso, seu e meu, e ainda, à margem de um lago gritar para a lua prateada: "Posso! "Não me interessa onde você mora ou quanto dinheiro tem. Quero saber se pode levantar-se após uma noite de sofrimento e desespero, cansado, ferido até os ossos, e fazer o que tem que ser feito pelos filhos. Não me interessa saber quem você é e como veio parar aqui. Quero saber se você ficará comigo no centro do incêndio e não se acovardará. Não me interessa saber onde, o que, ou com quem você estudou. Quero saber o que o sustenta a partir de dentro, quando tudo mais desmorona. Quero saber se consegue ficar sozinho consigo mesmo e se, realmente, gosta da companhia que tem nos momentos vazios." (The invitation, inspirado por Sonhador da Montanha Oriah, índio ancião americano, maio de 1994)

Sábado, 13 de Junho de 2009

Perdida














Sigo andando nessa rua que não conheço
que casa será a minha?
quem me aguarda para jantar?
onde deixei minhas lembranças?
O carro passa por mim
alguém acena
eu não sei
se consigo chegar
não ignoro os sinais
mas não lembro o que eles significam
e por isso não temo.
Perdi tudo o que era memória
mas meu nome eu sei de cor
não guardei nenhuma história
não lembro de nenhuma dor.
Caminho nessa rua que não conheço
minha casa, eu não sei
ora lembro
ora esqueço...

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Inesperada


A palavra estava guardada
e sorriu, triunfante
quando acendeu meus olhos.
As surpresas de todo dia
iluminam o meu caminho.
Eu sigo.

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Perdendo a timidez...

Uma antologia pra começar... depois quem sabe um vôo solo...














Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Vai passar


















A vida inundada transgride
e recusa-se a chorar a perda.

Um dia o sol seca tudo
Enquanto isso
reescrevo cada verso
com as palavras que aprendi.
Eu teimo.

Não há flores na minha janela
mas o beija-flor vem todo dia
beber a água com açúcar.

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Recomeço





















A vida retoma o curso
lentamente

Busco ainda as frases soltas
as lacunas cheias de significados
as dores que escondi
entrelinhas.

De vez em quando a palavra chega
piedosa
e se aconchega na linha vazia
tentando me fazer outra vez
aquela mulher incompleta
que busca sentidos no que não existe
e escreve como se morresse
todo dia.

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Uma vida sem back-up




















Não. por favor, não ria de mim. Porque pra mim essa foi uma das piores coisas que podiam ter acontecido. Hd resetado. Limpo. Cheirando a casa nova, tinta fresca, madeira recém-cortada.

E enquanto os vingativos de plantão vão tentando fazer piada com minha irresponsabilidade eu só posso lamentar. Perdi muito mais que arquivos. Eram anos de escritos, fotos, mais de 3000 músicas. Coisas que já não voltam mais...

Perdi parte da minha vida, que hoje tento aos poucos resgatar através de pen-drives e discussões. Mas não tenho muitas esperanças.
Aquele fio de cabelo branco que me caiu nas coxas e eu jurei não ser meu parece gritar comigo. Cadê a responsabilidade que deveria vir com a idade? Eu não sei... Só sei que não tenho mais nada do que escrevi. As páginas estão todas vazias...

Igual a mim...

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Além do vento frio...















Este ser imperfeito
grita dentro de mim.

Não posso correr mais depressa
e os pensamentos atropelam meu silêncio.

Queria ser diferente
andar no prumo
ter a vida toda arrumada
em gavetas azuis.

Mas dos desejos de ser alguém
que marca
só consegui uma cicatriz
a enfeitar meu rosto.

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

É verdade...


Não engulo a palavra
que pulsa.
Ousar também é perceber
que chega
de tentar ser...
Melhor é ser de uma vez.


Para Kiara, que mesmo sem querer desatou um nó.

Do meu silêncio













Anda em mim essa preguiça
de ser
que me impede de mexer
os sentimentos
que não me deixa ser
abusada
não me permite ver
o outro lado
e me faz parecer essa mulher
cansada.

Desses dias de silêncio
forçado
Vazios de palavras
ocos de sentido
acalento o lento desabrochar das horas
que pousam inférteis em meu ouvido.

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Dos espaços vazios















Não cai mais chuva
mas o vento fresco lembra
o aconchego antes da partida.
Tudo o que eu queria agora
era o arrepio que percorria o corpo
a felicidade disfarçada
no semblante de quem não ri.
O olhar faminto
indisfarçável
de cada momento
roubado.
A luz que emana
dos olhos que ousam
quer me iluminar,
mas não posso...
estou cega
outra vez...

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Colcha de retalhos


Sigo emendando os retalhos
da vida que se reparte.
Pequenos pedaços de sonho
enfeitados
coloridos.
Em cada ponto
um pouco
de quem sou,
que eu mesma não sei dizer...
mas me pergunto todo dia
na esperança que a resposta
apareça nas estampas.

Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Shhhhh


















Silêncio.
Toda palavra adormeceu
Resta em mim essa lacuna eterna
que não preencho
não esqueço
não disfarço.
Tem horas que a felicidade é triste
e a calmaria é ilusória.
Quando não há jeito certo de dizer
eu não tento.

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Claustro












Do que não revelas
eu sinto
tua vontade
de arrancar de mim
as asas
cortar meus pés
enclausurar meus devaneios
e porque não podes
ardes na febre eterna
e absoluta
do ciúme que não confessas.

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

É segredo

Eu odeio essa mulher todo dia. As mudanças que ela sofreu, que vão bem mais além das finas rugas e de alguns cabelos brancos espalhados na longa cabeleira. Odeio o modo como ela se expõe, suas saias nunca abaixo dos joelhos, suas pernas bem torneadas mostrando aos outros o que eu queria só pra mim. Odeio a maneira gentil com que ela trata quem sequer conhece, o modo descuidado com que se porta. Odeio quando não me conta o que já sei, como se eu nunca fosse perceber que algumas palavras tem duplo significado e que nem sempre o mais adequado é o que ela quis usar. Odeio seus trejeitos de menina no corpo de mulher, seu sorriso condescendente, seu modo quase esnobe de dizer que sente muito, seu olhar de desdém ante minhas indagações.
Não sei quando comecei a odiá-la, só sei que em muitos dias é difícil olhá-la nos olhos, e eu viro de costas pra ela antes de dormir, pra garantir uma noite tranqüila. Mas não entendo, a mágoa que dobro e guardo noite após noite parece dissipada pela manhã, quando ela se move com delicadeza para não me despertar e eu sinto as costas ainda mornas dos beijos que ela displicentemente depositou antes de sair. Aí esse corpo cansado de retrair-se fica de súbito relaxado, e o perfume suave no travesseiro dela me desperta lentamente só pra me mostrar que ela já não está. E quando todos os fantasmas da ausência deitam ao meu lado a imagem dela perde o brilho, fazendo a dor da falta que ela me faz pulsar forte em cada canto do meu ser em agonia. O amor que eu tento jurar mas não sai da minha boca transforma-se na raiva de não saber como contê-la, e todo dia eu a odeio. É por isso.

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Dos lamentos tardios


O amor que não aceitei
pesa nos meus ombros cansados
e desbota meus dias sem brilho nem cor.

O amor que eu não quis
arrogante
zomba de mim da janela entreaberta
enquanto eu recolho as palavras mortas
que enfeitavam as páginas amarrotadas
das declarações que um dia ela escreveu pra mim

Terça-feira, 21 de Abril de 2009

Das palavras de Cecília...

As poesias de Cecília Meireles sempre me acompanham, e vez por outra parecem ter sido escritas pra me descrever. Hoje, então, parece que elas gritam por mim.













Traze-me
(Cecília Meireles)

Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
-Vê que nem te digo - esperança!
-Vê que nem sequer sonho - amor!

Sábado, 18 de Abril de 2009

Dos meus caminhos


Desse chão que eu piso
nasce um pé de novidade.

Parede pintada
carro lavado
roupa nova.

Leve como a brisa fresca
rodopio em minha saia rodada
carregando pelo braço
a última dúvida:

ainda falta muito?

Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Quase magia...













(Para Lídia Luz)


Não são só as tuas histórias
que contas nas tuas cores
aromas, versos de lã
São as vidas entrelaçadas
que vicejam em teu olhar
e transpiram em pequenos pontos
numa alegria que seduz.
Pequenos pontos de vida
graça, beleza e luz.


Lídia é a artista que dá vida e graça a esses lindos trabalhos. Cada peça é feita com o cuidado que só uma artesã apaixonada pela beleza das cores consegue transmitir.

Veja mais em http://lidialuz.blogspot.com/

Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Inominável...











Respirou fundo
deu um olhar gelado
virou as costas
não olhou pra trás.
Cruzou a soleira da porta
deixando um rastro de perfume
e um buraco no meu peito.

Nunca mais
nunca mais.

Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Inquietação









Minha saudade tropeçou na tua imagem
e as gotas da tarde cinza de abril
acompanharam meu desassossego.
Quando penso que me convenci
a ser o que se espera
bate um vento
cai uma folha
toca uma música
e tudo o que estava arrumado
subitamente jorra de dentro de mim.

Terça-feira, 7 de Abril de 2009

Travessia

O vento nem soprava mais como antes e eu continuava lá, esperando que algo acontecesse. A brisa fraca que chegava até mim não movia mais as minhas velas, e eu decidi voltar. Desembarcar em terra firme depois de meses em alto-mar foi estranho. Mas eu cheguei aqui, neste cais onde amarro meus sonhos, e me deixei abraçar pela grossa corda que segurava minha vontade de voltar.
Mais que estar longe da terra firme, sinto falta do arrepio que percorria minha espinha quando o mar estava revolto, as estrelas testemunhando a solidão de estar à deriva no meio do nada... O descanso que dizem que eu preciso é ilusório, minhas mãos não sabem ficar paradas, minhas pernas balançam querendo ir, mas dizem que devo ficar, e eu ainda permaneço neste porto agora deserto.
Caminho sem pressa alguma em direção ao abrigo que lembro vagamente onde fica, mas as chaves não estão comigo. Deixo-me cair pesadamente no gramado bem cortado da casa que um dia sonhei minha, mas que nunca me pertenceu. E o cheiro de maresia que trago em minhas vestes gastas me entorpece. Alguém caminha em minha direção, e eu me permito sorrir.
O abrigo dos braços que me querem próxima aquecem este corpo gelado de medo. Medo de nunca mais poder embarcar, de não saber mais como navegar, de não sentir os respingos da água salgada nas noites frescas. Mas eu me deixo conduzir para dentro, mesmo desacostumada a ter tantas paredes ao meu redor. Estar de volta também é bom. O cheiro de café vindo da cozinha me remete a um tempo quando eu não tinha outra vida senão aquela. E eu me deixo acalentar, cheia de saudades do que eu nem sei mais.
Agora, sentada em frente a esta janela de onde tantas vezes avistei o horizonte com olhos sedentos de conhecer o outro lado, eu mesma não me entendo... Parece que quanto mais eu quero voltar, menos eu quero sair daqui.

Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Dos desesperos secretos...









A voz que vem de mim
quer que eu pare.
Finjo que não escuto
busco justificativas
pretextos tolos
para continuar.
Por mais que eu tente
não querer
o controle me foge.
Entra em mim
este alimento
que não me nutre
mas me entorpece.
E eu esqueço tudo
o que tinha prometido.

Eu me passo pra trás o tempo todo...

Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Do que não se deve fazer...









Aquele que declinou da dança
suspira
Não havia ninguém olhando
mas ele temia errar
e ela buscou outros pares.

A magia acaba à meia-noite
mas nem sempre...

Terça-feira, 31 de Março de 2009

Caçadora...









Caçadora
que se rendeu à caça
repouso agora sobre os restos
da sangria que causei.
Recolho minhas armas e sigo
sem qualquer orgulho
na tentativa de reparar
o que não tem conserto.

Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Leveza...











A leveza que me faz flutuar
sai dessa força que eu não sabia
trazer comigo.

O silêncio
muitas vezes
é um ato de contrição
e coragem.

Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Tempestade










Nesse dilúvio
afundo meus versos.
Esqueço que sou pequena
operária de palavras que gritam
meus conflitos.
Nado pra não morrer.


(Exagerada.
Só sei boiar.)

Segunda-feira, 23 de Março de 2009

Lembrando









Água de chuva
vento forte
cano que vira bica...
Escrava das boas lembranças
alimento meus dias
cinzentos
com o perfume
amadeirado
das fotos desbotadas.

Selinho pra mim!

Minha amiga Alcinea, na onda dos selinhos, me passou esse selo lindo que passo agora a ostentar com o maior orgulho:

Obrigada!

Agora, minha lista dos 15 que valem a pena acompanhar:

1. Idéias de Jeca-tatu

2. Blog da Alcinéa Cavalcante

3. Repiquete no meio do mundo

4. Neste Instante

5. Textos perdidos

6. Papel de Seda

7. Notícias Daqui

8. Espasmos de riso descontrolado

9. Mini contos perversos e outras licenciosidades

10. Passei dos trinta

11. As Valsas Invisíveis

12. Pseudotudo

13. Brincando com palavras II

14. Caleidoscópio

15. Mulher na Janela

Sábado, 21 de Março de 2009

Em claro










Rasga minha madrugada
a mulher magoada
que eu não percebia.
Repousa em minhas angústias
e mostra
com um sorriso de escárnio
o espaço vazio na cama.
Como uma mancha na parede branca
a solidão desenha meu rosto.

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

Palavras de quem não teme...










Eu não sei
não ser
abstrair de mim
a alma
e ser só
objeto que se move
em segredo
enquanto tudo ao redor
vibra e chama.

Algo em mim
quer até sentir
medo

mas não há medo
em quem ama...

Quarta-feira, 18 de Março de 2009

Eu não sei guardar segredo...













Aquele que guarda segredo
já não sabe esperar o abraço.
Traz a voz rouca
e o descompasso
de quem se sabe
a outra face da promessa.

A carne pulsa
tem pressa
mas não pode
escolher a hora.

Aquele que guarda segredo
já não pode com tanta demora...

Terça-feira, 17 de Março de 2009

Deixa que eu conto


Mesmo depois da tristeza ter ido embora ela ainda ficou por ali, olhos fechados, sentindo o vento que vinha da única janela aberta. Havia muito tempo não chorava, e até já tinha esquecido da sonolência que o choro sentido e convulsivo deixa quando passa. Abraçou uma almofada e tentou limpar a mente de tudo o que parecesse significativo. Adormeceu sem se dar conta que a porta estava destrancada, e não viu quando ele entrou.
Não percebeu, também, o olhar enigmático em sua direção, não sentiu as mãos que passeavam pelos seus cabelos curtos em desalinho, nem conseguiu sentir a ternura que saía daquele toque suave. O desconhecido que a tocava entrou em seu sonho como uma sombra, mas não sentiu medo. Sabia que ele não a faria mal algum.
E porque não tinha medo não ofereceu qualquer resistência quando ele desceu as mãos pelo rosto e encontrou a curva do pescoço macio, detendo-se naquele pedaço do corpo tão sensual e ao mesmo tempo tão frágil. Quando ele apertou-lhe a garganta ela sequer abriu os olhos. Não faltou-lhe o ar de imediato, nem tampouco sentiu dor. Ouviu um pequeno estalo e tudo escureceu.
Quando a empregada chegou para trabalhar no dia seguinte estranhou a porta entreaberta. O grito logo preencheu o ambiente decorado em tons de terra. Um alvoroço tomou conta dos vizinhos quando a notícia se espalhou. Ninguém ouvira nada, nem havia visto qualquer estranho entrar no edifício. Não havia qualquer pista que pudesse levar ao dono dos dedos que deixaram aquelas estranhas marcas arroxeadas no pescoço alvo da jovem que jazia, inerte.
As conversas de corredor não tardaram a começar. Logo, cada morador tinha seu suspeito. Pereira achava muito estranho o comportamento daquele jovem do 801, sempre de preto e com ar soturno, mas Duarte não concordava. Achava que devera ser alguém que havia subido com ela ao apartamento na noite anterior ao crime, mesmo não existindo qualquer registro de visitas na portaria. O carro dela tinha película escura, logo ela poderia ter chegado com alguém. Ou não?
Dona Suzana desconfiava do morador do 203, um senhor calvo, careca e obeso, que aos 40 e poucos anos ainda morava com a mãe e dividia seus dias entre o computador e o binóculo que usava para ver de perto a vida alheia. A vizinha do 502, sempre calada mas muito observadora, discordava de dona Suzana. Um sujeito como aquele não conseguiria entrar sem fazer barulho, e mimado pela mãe daquele jeito seria incapaz de matar uma formiga. Não, o assassino era outro. E continuava escondido sob o véu da incerteza, disfarçado sabe-se lá do quê, ou de quem.
Na dúvida, cada um antes de dormir fazia questão de conferir se as portas estavam devidamente trancadas, bem como todas as janelas. Alguns mais preocupados ainda colocaram alarmes e outros dispositivos de segurança. Mas tranqüilidade mesmo, ninguém nunca mais conseguiu ter. A não ser, claro, o respeitado morador do 601 que, semanas antes, ao passar pela porta do apartamento da jovem que morava sozinha não pode deixar de perceber a porta entreaberta e resolveu entrar.

Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Segredos...














Enquanto traço meu caminho
pensando
o suor desenha em mim
um rastro
descendo
por curvas
vales
fendas
lembrando
das mãos que deixaram marcas
e ensaiaram danças.
Eu corro
mas não consigo
não pensar...

Domingo, 15 de Março de 2009

Música de hoje










Do nada pra lugar nenhum
(Nilson Chaves/Vital Lima)


Lembro de quanto tudo era doce
Lembro de quando tudo era vivo
Dentro de dois a força de ser só um
Hoje te vejo assim espantada
Como perdida em uma ilha e essa estrada
Que vai do nada pra lugar nenhum
Lembro da gente sempre bem perto
Por um caminho curto e direto
Atravessando os mares sem medo algum
Hoje te vejo em destino incerto
No meio desse imenso deserto
Que vai do nada pra lugar nenhum
O que será que existe dentro de nós dois
Além daquela vontade
Descobrir a verdade antes de tudo
O que haverá no muro entre nós dois
Além daquele espaço estranho
Escuro e mudo
Não há tristeza mais dolorida
Do que ter tido tudo na vida
E de repente perceber que é comum
Ser mais uma pessoa enganada
Ver o rumo confuso da estrada
Que vai do nada pra lugar nenhum...

Sábado, 14 de Março de 2009

Palavras que eu não quis dizer









A tarde sepultava um dia atormentado.
Nada de novo,
mas sempre a mesma esperança
de que o grito não ecoe.
As cicatrizes que ganhei
deixam meu olhar sombrio.

Só porque eu sorrio não quer dizer que sou feliz.

Sexta-feira, 13 de Março de 2009

Às vezes eu não entendo...














Tão fácil
duas ou três palavras
e o dia acaba...

Já tentou gostar de mim?

Quarta-feira, 11 de Março de 2009

Das horas de desespero...











Essa imensidão
que me abraça
e me puxa pra dentro
do abismo
fala de mim como se eu fosse
velha conhecida
dos labirintos
eternos
escuros
gelados
que se formam
toda vez
que eu quero desistir.

Eu não sorrio
nem temo
mas ainda não sei
se mergulho...

Terça-feira, 10 de Março de 2009

Palavras de quem entende...














Contágio
(Bruna Lombardi)

Feroz em nós uma paixão de novo
nos ameaça
nos faz vibrar, o sangue flui
sobe no rosto
de repente a gente fica
disposto a tudo
e tudo é pouco
não importa que essa loucura
não tenha alívio
a gente muda, respira de outro jeito
arfa no peito sempre uma pressa
sempre aquela vontade
sozinha fico metade
depressa me abraça, uma saudade
que dói, uma coisa que arrebenta
e não se agüenta mais.
A gente se entrega ao risco
arrisca a pele, perde o rumo
no prazer dessa desorientação
A gente quer explodir e não pode
quer se conter e não sabe
quer se livrar do jugo da paixão
mas não quer que ela acabe.

Sábado, 7 de Março de 2009

Dos dias que não brilham...


Vento frio
nenhuma dor me sufoca
mais do que essa.
O ar que entra em mim
dilacera minha loucura.
Estou calma.

Sexta-feira, 6 de Março de 2009

Do que não sei dizer sem dor...












Sem combustível
para meus rompantes
estaciono minhas fantasias
desejos
loucuras
e espero
saudosa
que as nuvens dissolvam-se
sobre mim.
Cansei.