quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Reencontros

Todo reencontro é uma história que estava guardada que sai pra tomar um ar. Sai porque é bom reviver tudo o que marcou, como reler um livro que lemos quando éramos crianças. Cheio de sensações boas, lembranças que se misturam às palavras que lemos com outros olhos. Olhos de quem já passou por tudo, e sabe o final da novela. Mas que mesmo sabendo o que vai acontecer à mocinha ainda sente o gosto pelo desenrolar da trama.
Reencontros são novos capítulos de uma história que parecia ter chegado ao fim, mas que podia estar só pausada, esperando alguém apertar na tecla certa pra reiniciar a gravação. E têm gosto de passado, aquele passado bom, que gostamos de ver nos álbuns de fotografias. Aquele passado que tem cheiro e sabor, como pudim ainda morno na cozinha de nossas avós.
É curioso como alguns caminhos se separam para se encontrarem novamente mais adiante, cheios de vida, cor, luzes. As encruzilhadas que nos afastam também nos indicam novas formas de encontrar a felicidade. Porque a felicidade que enxergamos no outro não nos pertence, precisamos buscar nosso próprio brilho. Para então, conscientes de nossos contornos e recheios, sermos capazes de entregarmo-nos, inteiros, absolutos, a quem quer que mereça nossa entrega. Sabedores que o brilho que vemos no outro é nada mais que reflexo de nosso próprio refulgir.
Histórias que se repetem, gestos cheios de significados, palavras que tatuamos na alma. Reencontros são oportunidades que a vida nos dá para abraçarmos nossas lembranças mais preciosas antes de adormecermos. E valem por anos de espera. Porque alguns reencontros, mágicos, encantados, entrelaçam-se às nossas horas para o resto da vida, tornando o tempo que nos resta um poema colorido e perfumado. E nos brindam com a esperança de dias mais felizes. Com nuvens de chuva e gosto de quero mais.

3 comentários:

Leila disse...

Reencontros são sempre bons.
Bom fim de semana, irmã.
Beijos

Isaac Marinho disse...

Reencontros...
Reencontrar as pessoas que nos são queridas é realmente algo especial.
Texto excelente!
Mas eu penso em outro reencontro. Quando "perdemos a âncora" por algum motivo e nos afastamos daquilo que somos em essência, é como se partíssemos de nós mesmos sem despedida. Daí, por algum motivo (saudade de nós mesmos, necessidade de ser quem realmente somos) buscamos voltar a nós, até que nos reencontramos e experimentamos "uma alegria de reencontro" mais especial ainda.
"Só quem se perdeu sabe o que é se reencontrar". =)

Um forte abraço.

Lilian Dalledone disse...

Que saudades de seus comentários, amigo!
Não tinha visto ainda por este lado: o reencontro com quem
realmente somos. Me parece uma alegria como a de renovar-se, trocar a pele, ressurgir das cinzas para brilhar novamente...
Obrigada pela visita, sei o quanto você anda ocupado!

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