segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Palavras que viajam

Duas horas da tarde de um verão absolutamente tórrido no hemisfério sul. Carros, pessoas, cachorros, tudo vagarosamente preguiçoso. Tarde que parecia se arrastar, suada. Do outro lado do mundo ouve-se um hip hop. Amanhã é fim do mês também na Suíça, na Inglaterra, na França. Pessoas se acotovelarão também lá nas filas de banco? Toca um telefone qualquer na China e eu não consigo ouvir precisamente o que falam. Algo sobre uma criança que morreu de fome na Namíbia. Ou teria sido no Piauí? Li no jornal que um jovem americano suicidou-se tomando veneno num copo da Coca-Cola. No verão tudo é mais trágico. Alguém se afogou em Palmas de Mallorca, e era inverno na Rússia. Frio de congelar até o beijo daquele espanhol que mora atualmente na Polônia e serve cafezinho na embaixada da Noruega. É quente no Rio de Janeiro, e deslumbradas mulheres canadenses desfilam de fio dental em Copacabana, mais parecendo camarões tostando ao sol. Sol que nasce quadrado na penitenciária de Tel-Aviv, onde está detida aquela estudante peruana que matou acidentalmente um iraniano naturalizado argentino em território israelense.

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