domingo, 30 de novembro de 2008

Partida


Decisão tomada
confirmada
comunicada
acatada
(lamentada?)

mas não me convenci
de que fiz o certo.

Do que nunca terei
porque não sei
ter outra face
escolhi sentir saudade

- esperar
não me cai bem.

sábado, 29 de novembro de 2008


Eu aqui
tão só
com esse pensamento
recorrente
da ausência
da vida que pulsava
em mim

Não tenho
mais nada
agora
somos só
eu e esta dor
de não poder
voltar atrás.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Tolice


Essa certeza inabalável
que te prende
- dizer que nunca
nunca
nunca...

Tolice.

Fecha os olhos
e deixa
que eu guio
tuas mãos.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Entrevista

A Alcilene Cavalcante, jornalista super conceituada aqui do Amapá, fez uma entrevista muito legal comigo. Tá lá no blog dela.

Ai, dá licença, mas hoje eu tô me achando!...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Solidão

É dessa solidão que eu falo tanto
e tão angustiada
falo só
porque não há quem me escute
não há quem me abrace
nem há quem me segure a mão
se eu, de repente,
morrer entre as paredes desse apartamento
que já foi palco de tanta festa
e hoje é só a coxia
de uma alma que não encontrou sossego
e se recusou a partir.

Cansei

Cansei de brincar de ser poeta
dona de palavras que não me satisfazem
ou me descrevem.
Já vaguei muito
procurando pelas frases certas.

Tentei ser doce
tentei ser séria
e agora tento não tentar ser
nada além da mulher que escreve
histórias que quis viver
mas não teve coragem.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Apenas escrevo...

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."

(Clarice Lispector)

Eu não tenho medo...

Eu não tenho medo
ela disse,
tentando não pensar.

Temer não é fraqueza
mas ela não sabe
e se aconchega, pequenina,
no colo da madrugada
enquanto fecha os olhos
e abraça o travesseiro
esperando, insone,
uma luz qualquer
que lhe clareie o pensamento.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Caos

Tenho uma desordem natural
que não me perturba
porque faz parte da minha essência.
Tudo tem o seu lugar no meu caos particular
e mesmo o que parece estar perdido
tem uma finalidade
um desenho próprio
um rabisco destinado a virar poesia.

Não me desfaça dos meus despojos
histórias que não terminei de contar
e que me assombram vez por outra
do meio da pilha de papéis
que enfeita minha escrivaninha.

sábado, 22 de novembro de 2008

Alquimia

Da varanda de casa eu sentia o cheiro. Temperos diferentes, ervas, caldos... O chiado das panelas sobre o fogão avisava: mamãe estava na cozinha. Encantada com a possibilidade de ajudar e assim entrar no mundo dos adultos, mesmo que com a permissão exclusiva para fazer as tarefas menores (nada de facas, objetos pontiagudos, latas, vidros...), eu me postava à porta, observando o movimento das colheres, assadeiras, travessas... Pra mim, aquele mundo morno e levemente açucarado era quase mágico. Como se o cheiro que saía das panelas e penetrava em minhas pequenas narinas fosse capaz de operar milagres. Sempre havia algo na cozinha para curar o que eu sentia: uma sopinha morna para os dias de febre ou uma gemada batida vigorosamente pelas mãos ágeis de mamãe para quando o corpo estivesse fraco (e quantas vezes fingi uma fraqueza e prostração imensas só pra ganhar aquela gemada com algumas preciosas gotas de vinho...). A cozinha pra mim era um território de descobertas. Imaginava aquelas colheres de pau, panelas, armários, potes, vasilhas ganhando vida para compor uma melodia absolutamente harmônica... E fantasiava com uma cozinha só minha, onde vidros, facas e tesouras fossem permitidos, onde o cheiro que saía das panelas não tivesse nada a ver com dobradinha ou cozido, e as crianças comessem junto com os adultos. (pois é, sou do tempo em que as crianças comiam primeiro...)
E enquanto minha mãe cortava e temperava nossas refeições eu, da porta da cozinha, sentada em meio a panelinhas de plástico e sonho, vivia a expectativa infantil e preciosa de crescer depressa e aprender também aquela alquimia, que transformava alimentos em pequenas porções de amor.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Assim disse Leminski...


isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

(Paulo Leminski)

Ah, tomara!...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Paciência

é preciso
ter paciência
tu dizes

palavras não caem
como chuva

não se deixe
molhar
impunemente

(Herbert Emanuel)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Não se engane...


Não se apaixone tão depressa
que eu sou flor que não se colhe
sou bicho que não se bole
sou pedra por lapidar.

Não mude toda a sua vida
por um ou dois dias intensos
vive-se muito em pouco tempo
mas depois...

depois não há.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Esquinas

Você não me liga
não me atende
não me pede pra ficar...
Não sabe meu sobrenome
não lembra meu telefone
não sabe de onde eu vim...

Tudo bem.
Calço meu salto quinze
e sou a mais bonita
dessa esquina da tua vida.

Depois ensino tudo
o que você precisa saber
sobre mim.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Microconto

Eu não sabia o que éramos. E assim éramos muito mais.

Sou assim...

Eu não quero
menos dores
menos febres
mais juízo
Não quero uma vida sem graça
quero os amores
mau-humores
viver tudo até o fim
aproveitar cada segundo
Ardente
Intensa
Inconstante?
É, eu sou assim...

domingo, 16 de novembro de 2008

Aniversário

Outro ano
menos um na minha conta
quantos mais antes que me arrebate
a sonolência eterna de quem não está?
Mais um monte, assim eu sei
que o melhor ainda não fiz:
tenho muito ainda a viver
mesmo que nessa corda bamba
onde vivo por um triz...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Obedeça...


Obedeça
seus instintos
rasgue minha roupa
beije minha boca
mate sua sede de mim.

Obedeça seus instintos
não se esconda...
Foi pra te fazer feliz
que eu vim.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Mea culpa...

Já perdi a conta
das besteiras
que ainda vou fazer.
Tropeço continuamente
nas minhas pedras
e não posso nem dizer
que não faço mais.

Como cega que não aprendeu
a localizar-se no escuro
tateio continuamente
em busca de palavras
que não machuquem.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Desculpas aceitas...

Desculpas aceitas
mas não espere de mim
sorrisos
que nunca os dou

Contente-se com a consideração
de ter te escutado
ainda que magoada
e ter te perdoado
ainda que não te creia.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Palavras que eu não escrevi...

ai daqueles
que se amaram sem nenhuma briga
aqueles que deixaram
que a mágoa nova
virasse a chaga antiga
ai daqueles que se amaram
sem saber que amar é pão feito em casa
e que a pedra só não voa
porque não quer
não porque não tem asa

(Paulo Leminski)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Dias de borboleta...



Vivo dias de borboleta

Saudades da calma
e escuridão
do casulo
destruído.

Voar também exige sacrifícios
mas depois que se aprende
nada mais pode
conter o movimento
ou descrever a sensação
de ser outra
ainda que a mesma.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Combinado...


Então tá combinado:
eu finjo que sou inocente
e você finge que não é culpado...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Misteriosa...


Essa parte da minha história
que desconheces
teme ser causa
do teu desespero
e se esconde atrás
das horas mortas
tentando não aparecer.
Essa parte de mim
que não te mostro
não está distante de ti,
mas não a alcanças
que o que percebes de mim
traço e palavra
tem a sombra do receio de perder-me
a encobrir o verdadeiro significado.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Só sei amar assim...


Quem me conhece sabe que eu sou muito intensa. Vivo cada minuto como se fosse o último. Sem tempo pra pensar muito, sem muitas neurores, vivo apenas. Quem já deu um beijinho em papai do céu e foi devolvido sabe do que eu estou falando. Qualquer hora pode ser a última. Não, isso não tem nada de dramático ou dolorido, ao contrário! Faz com que aproveitemos mais, tudo, sempre. Às vezes acho que sou meio maluca, transparente demais, curiosa demais, ou seja, INTENSA. Mas já vi que não sou só eu! Herbert Vianna escreveu essa música belíssima, que a Zizi Possi gravou. Profunda. Visceral. Linda. Fala de amor, mas não é só isso. Fala nas entrelinhas do que é sentir muito. O oposto da superficialidade que normalmente baseia as relações entre as pessoas. Medo demais, comodismo demais, preguiça de sentir.


Eu só sei amar assim

(Herbert Vianna)


Muito pra mim é nada
Tudo pra mim não basta
Eu quero cada gesto
Cada palavra
Cada segundo da sua atenção
Faça isso por mim
Leve a dor pra longe daqui
Estou cansada de ouvir que eu só sei amar errado
Estou cansada de me dividir

No que é certo no amor
Quem é que vai dizer
o que falar?
Calar?
Querer?

Eu quero absurdos
Quero amor sem fim
Quero te dizer que
Eu só sei amar assim...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Efêmera


Ainda que transitória
como os teus dias
deixa eu marcar tua vida
com o gosto da minha boca.
Mulher de muitos sabores
múltiplas contradições
não guardo falsos pudores.
Abre os braços e me recebe
antes que esse momento
desapareça
- dono das minhas horas insones –
guarda as dores, dúvidas e desencantos
pra depois que eu te tirar
da cabeça.

Palavras...

As palavras brincam comigo
e me mantém refém
Tudo bem
eu não ligo
Faço de conta que sei
escrever nas linhas

Ninguém desconfia
que sou só alguém
que tem mania
de se perder.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Novos rumos...

Garimpar a alma em busca de novas emoções. Acordei com esse desejo estranho pulsando em meu pensamento. Varrer o que é antigo e procurar o que não conheço. Quem sabe um pouco mais de sanidade, já que meus caminhos são loucos demais pra que eu consiga viver em paz comigo mesma. Quem sabe um pouco de leveza, que a culpa pesa uma tonelada, e me sinto cansada de carregar tanto peso em mim. Talvez a sensação inédita de ser ansiada, esperada, a salvação dos dias sem graça de alguém que já não sabe sonhar. Não encontro respostas em mim, o gosto de quero mais adoçando minha boca, e um perfume febril de juventude entrando em minhas narinas. Quero sonhos novos, já vivi tempo demais colhendo amoras da macieira, chega de ilusões. Quero abraços demorados, cheiro de chuva e chá de capim marinho aquecendo minhas horas sem a presença preguiçosa de uma luz quase apagada, que falta faz um arroubo adolescente na vida de quem não lembra mais como ser feliz... Minha felicidade não chega a ser contagiante, é mais uma imagem engraçada que se forma diante dos que não têm a loucura pulsando em si. A minha loucura eu já conheço, talvez demais até. Sei onde ela me leva e sei que não vou chegar onde ela queria, talvez seja hora de trocar de sapatos. Esses eu já não quero, que não amortecem meus pesares como antes. É, garimpar a alma em busca de novas possibilidade me parece excitante hoje. Com novos mapas pode ser que eu chegue em algum lugar...

sábado, 1 de novembro de 2008

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