segunda-feira, 22 de junho de 2009

Destroços






















Do que era
nem sobrou traço
resquício
lembrança
qualquer promessa

O que foi vício
tempestade arrasadora
vendaval desgovernado
perdeu-se no caminho escuro
das muitas esperas pelo dia certo.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

No meu radinho















O que será que te excita?
Doces Cariocas

O que será que te anima?
O que será que te anima?
Bonecos de Vitalino
ou porcelanas da China?

O que será que te domina?
O que será que te domina?
Exércitos de Roma
ou a bomba de Hiroshima?

O que será que te balança?
O que será que te balança?
O xote de Don Quixote
ou o can-can que a França dança?

O que será que te adormece?
O que será que te adormece?
Mágicas no cabelo
ou um abraço que te aquece?

O que será que te excita?
O que será que te excita?
A cachaça Ipióca
ou o tinto da Periquita?

O que será que te dá vida?
O que será que te dá vida?
A saudade da chegada
ou a certeza da partida?



(E você? Sabe o que te excita?...)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Da moça de branco




















Aquilo que não é vaidade
rói as entranhas da moça de branco

Entre as vestes esvoaçantes
traz a luz suave de quem não sofre
os olhos curiosos de quem fantasia
o coração apertado de quem não pode
o frio na espinha de quem não teme

Abraça a hora secreta
sentindo os segundos escorrerem
pelas costas suadas.

Na noite de vento frio
nem tudo é palavra.
Presta atenção.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O que de fato importa...

"Não me interessa saber o que você faz para ganhar a vida. Quero saber o que você deseja ardentemente, se ousa sonhar em atender aquilo pelo qual seu coração anseia. Não me interessa saber a sua idade. Quero saber se você se arriscará a parecer um tolo por amor, por sonhos, pela aventura de estar vivo. Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua. Quero saber se tocou o âmago de sua dor, se as traições da vida o abriram ou se você se tornou murcho e fechado por medo de mais dor! Quero saber se pode suportar a dor, minha, ou sua, sem procurar escondê-la, reprimi-la ou narcotizá-la. Quero saber se você pode aceitar alegria minha ou sua; se pode dançar com abandono e deixar que o êxtase o domine até as pontas dos dedos das mãos e dos pés, sem nos dizer para termos cautela, sermos realistas, ou nos lembrarmos das limitações de sermos humanos. Não me interessa se a história que me conta é a verdade. Quero saber se consegue desapontar outra pessoa para ser autêntico consigo mesmo, se pode suportar a acusação de traição e não trair a sua alma. Quero saber se você pode ver beleza mesmo que ela não seja bonita todos os dias, e se pode buscar a origem de sua vida na presença de Deus. quero saber se você pode viver com o fracasso, seu e meu, e ainda, à margem de um lago gritar para a lua prateada: "Posso! "Não me interessa onde você mora ou quanto dinheiro tem. Quero saber se pode levantar-se após uma noite de sofrimento e desespero, cansado, ferido até os ossos, e fazer o que tem que ser feito pelos filhos. Não me interessa saber quem você é e como veio parar aqui. Quero saber se você ficará comigo no centro do incêndio e não se acovardará. Não me interessa saber onde, o que, ou com quem você estudou. Quero saber o que o sustenta a partir de dentro, quando tudo mais desmorona. Quero saber se consegue ficar sozinho consigo mesmo e se, realmente, gosta da companhia que tem nos momentos vazios." (The invitation, inspirado por Sonhador da Montanha Oriah, índio ancião americano, maio de 1994)

sábado, 13 de junho de 2009

Perdida














Sigo andando nessa rua que não conheço
que casa será a minha?
quem me aguarda para jantar?
onde deixei minhas lembranças?
O carro passa por mim
alguém acena
eu não sei
se consigo chegar
não ignoro os sinais
mas não lembro o que eles significam
e por isso não temo.
Perdi tudo o que era memória
mas meu nome eu sei de cor
não guardei nenhuma história
não lembro de nenhuma dor.
Caminho nessa rua que não conheço
minha casa, eu não sei
ora lembro
ora esqueço...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Inesperada


A palavra estava guardada
e sorriu, triunfante
quando acendeu meus olhos.
As surpresas de todo dia
iluminam o meu caminho.
Eu sigo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Vai passar


















A vida inundada transgride
e recusa-se a chorar a perda.

Um dia o sol seca tudo
Enquanto isso
reescrevo cada verso
com as palavras que aprendi.
Eu teimo.

Não há flores na minha janela
mas o beija-flor vem todo dia
beber a água com açúcar.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Recomeço





















A vida retoma o curso
lentamente

Busco ainda as frases soltas
as lacunas cheias de significados
as dores que escondi
entrelinhas.

De vez em quando a palavra chega
piedosa
e se aconchega na linha vazia
tentando me fazer outra vez
aquela mulher incompleta
que busca sentidos no que não existe
e escreve como se morresse
todo dia.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Uma vida sem back-up




















Não. por favor, não ria de mim. Porque pra mim essa foi uma das piores coisas que podiam ter acontecido. Hd resetado. Limpo. Cheirando a casa nova, tinta fresca, madeira recém-cortada.

E enquanto os vingativos de plantão vão tentando fazer piada com minha irresponsabilidade eu só posso lamentar. Perdi muito mais que arquivos. Eram anos de escritos, fotos, mais de 3000 músicas. Coisas que já não voltam mais...

Perdi parte da minha vida, que hoje tento aos poucos resgatar através de pen-drives e discussões. Mas não tenho muitas esperanças.
Aquele fio de cabelo branco que me caiu nas coxas e eu jurei não ser meu parece gritar comigo. Cadê a responsabilidade que deveria vir com a idade? Eu não sei... Só sei que não tenho mais nada do que escrevi. As páginas estão todas vazias...

Igual a mim...
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