sábado, 11 de julho de 2009

Patch musical

Sábado de sol escaldante e o Media Player escarafunchando meu notebook em busca de combinações que possam traduzir esta mulher que já passou dos 30 mas não consegue sair da adolescência...
Comecei ouvindo Sharing the night together e fui subitamente transportada a outras épocas. Espinhas, insegurança, culotes, óculos e paixonites elevadas ao cubo. Tertúlias (ai, me entreguei!!), banhos demorados e expectativas elevadíssimas. Muitas. Todas as possíveis. Porque isso é adolescer. E foi tão bom!!
E enquanto o Media Player ia avançando por uma seleção no mínimo inusitada, minha adolescência transformou-se e eu cresci... Foi quando me descobri humana e passível de erros (ah, as minhas ilusões de perfeição se esvaíram de forma dolorosa e definitiva...) e por mais difícil que seja pensar a respeito, errar me tornou mais adulta e muito mais tolerante. Only human. Eu, você e todo mundo.
Aretha Franklin cantou a angústia de querer parar o tempo quando tudo fora daquele momento perdia a importância. E muitas vezes me vi, como ela, running out of time, até chegar à conclusão que o melhor mesmo era deixar de prestar atenção ao tempo, porque ele nunca seria suficiente pra viver tudo o que eu queria. Talvez seja esse o better understanding que ela queria achar, não sei.
A Cher disse que o amor machuca, mas o que seria da vida sem ele? Love hurts, sim, quando não correspondido, mas eu passei por essa fase de achar que love is just a lie. Sobrevivi. Mais que isso. Conquistei.
Faz tempo que ouvi pela primeira vez Carole King cantar So far away, mas só recentemente percebi o significado dessa falta que as pessoas nos fazem, e ela passou a fazer parte da minha seleção musical. Porque quando a saudade de tudo e de todos arrebatou esse coração escandaloso a música me tocou. Doesn’t anybody stay in one place anymore? It would be so fine to see your face in my door!... Quem nunca olhou pra traz e sentiu falta do que não volta mais (ou dos que não cruzarão outras vezes nossos caminhos?)
Don’t tell me you’re not in Love! Juro que eu estou. E por mais estranho que esse country possa parecer no meio da minha seleção, presta atenção!... Você provavelmente está in love. tanto ou mais que eu. E mesmo que esse amor não caiba na sua vida agora, estar in love é booooom demais!!
Ficar no corpo como tatuagem, Chico entrando nos meus ouvidos como bálsamo, curando as dores que todos trazemos, tatuando as palavras como eu queria tatuar as minhas, mas nem todo mundo gosta do que eu tenho pra dizer. E se eu digo mesmo assim, é porque a vida abunda em mim, transborda por meus poros e eu acabo “nem aí” pro que os outros pensam. Porque, Já que tanto faz ser ou não pra valer, como na canção que me embala agora, melhor é ser de uma vez, né?...

3 comentários:

kiara Guedes disse...

desconfio das pessoas com mais de 30. Confio em vc e... desconfio novamente... quase uma certeza, que vc não passou dos 12, e se minha intuição está certa, devemos ter a mesma idade, eu nunca nem fiz 9...

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

Pablo Neruda

Desejo um belo domingo e uma linda semana.
Abraços

Fabiana disse...

Quando me descobri humana
Quando eu me descobri humana, parecia sobrar pouco, e eu era muito. Ainda havia o orgulho, o ódio, a raiva, a dor, o medo, embora eu andasse mais leve porque mais humilde e ignorante.
Quando eu me descobri humana, eu já vinha sendo humana desde sempre.
Naqueles momentos-navalha, eu levava tapa após tapa das pessoas que eu mais amava, vivendo fatos que eu muito temia.
Quando eu me descobri humana, eu vi que, na minha trajetória de forte e decidida, eu havia machucado muitos corações, enquanto eu gelava a minha vida, enquanto eu me impedia de sentir meu próprio calor fosse através de mim mesma ou de corpos aparentemente alheios.
Quando eu me descobri humana, embora forças de destruição, explodindo e implodindo me explicassem como arrasar o mundo, como devastar fora na medida do quanto eu sentia devastado dentro, e todo o arraso crescesse vilmente, meu amor não diminuía.
Era uma tristeza dessas muito úteis.
Eu amava e odiava ao mesmo tempo.

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