quarta-feira, 23 de março de 2011

Recomeçar




















Eu penso em recomeçar
acender velhas chamas
reler palavras esquecidas
achar motivos pra rir à toa
me deixar levar...

Eu penso no que não passou
(apesar de passado)
e olho, saudosa,
no espelho muito sincero.

Ainda dá tempo.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Carpe diem















Encaracolados sóis entre meus dedos
pendem da cabecinha inocente
que aconchega os medos e dúvidas
no meu farto colo de mãe.

Queria congelar o tempo
pra reter em meus longos braços
os abraços que não me dará
na adolescência.
Mas meu relógio
inclemente
Recusa-se a parar.

Resta-me o sorriso franco
de quem sabe que o tempo corre.
Eu aproveito.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Finally

















A palavra que me foge há tanto tempo

amanheceu grudada à face pálida,

emaranhada às muitas lágrimas já secas.

Abriu a janela dos meus inúmeros sonhos

descortinando um horizonte ensolarado:

FELIZ.



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Calo











O talento que eu sonhei ter
diluiu-se nas muitas histórias
mal-contadas
que um dia eu escrevi
sonhadora
pra te impressionar.
Achava que sabia escrever
mas hoje sei
entristecida
que minha palavra trêmula
nunca encontrou o caminho.
Calo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Distância




















O encanto desaparece
em silêncio.

As palavras
que já provocaram incêndios
e vendavais
já não são mais que rabiscos
que a vida transformou em poesia
um dia.

domingo, 21 de novembro de 2010

Saudade








 







Essa saudade de molhar os olhos
é úmida como janeiro
refrescante como a chuva que cai na tarde morna
perfumada como o caminho que leva à ponte
que liga passado e presente sem perceber.

Essa saudade
que é grande mas não oprime
colore meus olhos como as lâmpadas
das árvores enfeitadas
que contávamos da janela do carro
na infância que nunca saiu de mim.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Palavras que eu guardei


Estou sob mim mesma

esperando que me desnudes

camada após camada

e enxergues meu íntimo

afoito e infantil

enquanto me liberto

plena

e me jogo

inteira

em ti.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

À margem
















Não me deixe esquecer que não tenho medo
que às vezes a memória engana,
me tremem as pernas e a fala hesita
e eu penso que devo parar.
Olho através da vidraça molhada
tentando achar o que dizem que sou.
Mas não há qualquer traço das muitas cores
que eu teci pra encantar meus dias
e pesa nos meus ombros uma vontade de me encolher.
Enquanto isso olho e penso e calo e espero.
até que eu consiga ver que há em mim
muitas mais que eu mesma.
A vida anda em preto e branco...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Assombro












Meu nome doce
dança na tua boca suja
entre uma carícia e um verso
sussurrado
pra me iludir.
O timbre grave
grava em mim o assombro
de pertencer assim
tão descabida
descabelada
desinibida
a alguém que não sei quem é.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Noturna

Eu não me basto
e oscilo entre a lucidez
e os sonhos confusos
onde mergulho
insaciável
em busca do que já tenho.
Eu mesma.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Dia de...















Era dia de nunca mais.
Ensaiei mil frases
pra dizer que era o fim.
Palavras pra me convencer
que não havia mais espaço em mim
pra tantas alegorias.

Ela soltou os cabelos antes de me abraçar
e o que eu tinha pra dizer
perdeu-se nos cachos avermelhados
da mulher que incendiava minhas certezas todas.

Nunca mais faço planos.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Insight















Tinha o dom do amor
na ponta dos dedos
e usava
lasciva
enquanto a tarde escorria
morna
no sofá macio.

Benditas as mulheres apaixonadas
por si mesmas.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Desistir?...


Desistir?

Eu já pensei seriamente nisso,
mas nunca me levei realmente a sério.
É que tem mais chão nos meus olhos
do que cansaço nas minhas pernas,
mais esperança nos meus passos
do que tristeza nos meus ombros,
mais estrada no meu coração
do que medo na minha cabeça.

*Cora Coralina*

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ousadia





















Meus dedos longos
enlaçam teus medos
e aquecem tua noite.

Sei o que quero.
E fujo dos avisos de perigo
e das placas de advertência.

Depois eu pago as multas.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Entardecer















Escuto os sons na tarde quente
embalando minha solidão.
Corro dentro de mim mesma
recusando as velhas certezas
e repensando meus gostos musicais:

Nada tem som mais agradável
que a música que fazes
ao dizer meu nome.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Espera















O relógio parece zombar
do meu desespero mudo.

Durmo
acordo
durmo
acordo
mas não entro num acordo
com a impaciência que me consome.

As respostas não estão em mim
dessa vez.

sábado, 7 de agosto de 2010

Silêncio















Eu não quero dormir
e encho a madrugada com minha indiferença
pra te castigar.

Sentada na cama enorme
aconchego minha tristeza
no som longo e inesperado
do silêncio.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Fome





















Consumido pela fome
inesperada
afogas tua boca
em meu pescoço
enquanto as palavras escorrem
na madrugada quente
procurando algum sentido.

Não tem.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Standing





















Encontro o encanto escondido
nas dobras dos meus lençóis.

Ainda que em outros tons
a música enche novamente a madrugada.

O tempo não leva tudo
mas leva tempo até achar
o caminho de volta.

Além de palavras
traço novos mapas.
Não posso mais me perder.

sábado, 19 de junho de 2010

Atrevida...





















Tento ouvir o som das palavras soltas
(aquelas que não estão nas tuas frases feitas)
Tento ouvir o que não falas
e maldigo minha pouca audição
pra meias palavras...

Mas num súbito descuido da palavra muda
enxergo as entrelinhas do que não me dizes
e num rompante de atrevimento
calo o resto das minhas dúvidas na tua boca.
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