quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sussurro















Minha boca desacostumada a calar
tenta engolir com a saliva
o gosto que não deveria sentir.

Pulsa em mim
em desafio
o nome doce e proibido
da palavra que não se limita:

amor.

domingo, 27 de setembro de 2009

Do que me toca


CORPO
(Everardo Norões)

Teu corpo
se enxuga em minha água:
calafeta,
enxágua.
Completa
o que não vem de mim.
E por ser água e calma,
sonâmbula
como a
distraída voz do lume,
lembra um vago perfume
de jasmim.



(Natural de Crato, Ceará, o economista, poeta e crítico literário Everardo Norões escreve artigos e crônicas para jornais e também se exercita na criação teatral. É co-autor das peças Auto das Portas do Céu e Nascimento da Bandeira, de Ronaldo Correia de Brito. Para ver outras criações deste poeta, clique aqui)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Eu não sou a Martha Medeiros!!

Gente, como vocês leram no post abaixo eu estou numa corrida contra o mau uso dos meus escritos hoje... Não é que eu não goste de vê-los espalhados pela net. Ao contrário, sinto uma alegria imensa em perceber que o que escrevo toca tantas pessoas assim. O problema é a confusão que se faz. Agora há pouco eu vi a mesma poesia do post abaixo, Fotografia, atribuida à Martha Medeiros!
Sou uma fã incontestável dos escritos da Martha, que é uma forte referência no meu trabalho, mas não me confundam, por favor!...
Acho que vou parar de procurar no google, senão vou ter um ataque cardíaco ainda hoje!...

É meu!!

Descobri ontem à noite, absolutamente por acaso, uma poesia minha (Fotografia) atribuída à Lya Luft em um blog. Não sei se é pra ficar chateada ou honrada, afinal quem me dera escrever como a Lya Luft, mas o fato é que o que é meu é meu, né...
Preenchi um cadastro super detalhado para poder deixar um comentário na página da moça, que espero que leia e atenda meu pedido de corrigir o equívoco. Como a postagem já é um tanto antiga (de junho deste ano), não sei se ainda é uma página ativa, nem sei se ela vai me atender...
Logo em seguida, ressabiada com o fato, busquei novamente um trecho da mesma poesia no no Google, e lá estava de novo a dita cuja utilizada sem qualquer crédito em outro lugar, na descrição do perfil da autora de outro blog. E agora cedo vi que a net está infestada de meus poemas com créditos indevidos ou, pior, sem crédito algum...
Descobri também que sou mais famosa do que pensava (rsrsrs), porque tem um monte de gente legal ilustrando seus sites com meus escritos devidamente identificados. A estes um obrigada especial, principalmente porque no meio de um dia conturbado ver que sou referência pra alguém me faz sentir muito bem. Àqueles que me mandaram e-mails preocupados em corrigir o erro eu agradeço também. Fiquei feliz com o retorno. Entretanto, há aqueles que continuam "me usando" sem sequer pagar meu cachê (rsrsrs). A esses, por favor, um pouco mais de decência.
Gente, juro que dá vontade de não escrever mais nada.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Inside


Esse sentir
por mim rotulado
pulou, saliente, pela minha janela
e se escondeu embaixo do meu travesseiro.
Deixou minha vida mais cheia,
e minha alma bem mais leve.

Amor, quem sabe, pra vida toda
ainda que muito breve.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Shaná Tová!



5770- Shaná Tová - Feliz Ano Novo
Jayme Rosenthal




Hoje, 18 de setembro de 2009, ao entardecer, assim que surgir a primeira estrela no céu, segundo o Velho Testamento, 1º dia do mês de Tishrei do calendário lunar, a comunidade judaica do mundo inteiro, começa a comemorar Rosh Hashaná, que literalmente significa "cabeça do ano" ou Ano Novo.


Rosh Hashaná é o início do Ano Novo e aniversário da criação do mundo a partir do homem. No sexto dia, do pó Deus fez o homem estático, assoprou suas narinas e deu-lhe vida. Deu-lhe também, o livre arbítrio, que não foi atribuído no primeiro dia da criação as galáxias, plantas, animais e tudo que compõe o globo terrestre. E, no sexto dia, após terminar sua obra, Deus disse: "e foi bom", descansando no Shabat (sábado) de toda obra que fizera. Coincidentemente, nesta data, a história se repete, começamos um novo ciclo de vida.


Rosh Hashaná também chamado "dia do julgamento", é comemorado em dois dias, sendo dia 18 de setembro, véspera do Ano Novo. Começamos nossas orações, demonstrando nosso arrependimento. No primeiro dia,(19) fazemos uma avaliação sobre o ano que passou, nosso comportamento e estilo de vida, ou melhor, sobre o conjunto de valores, ambições, escolhas cotidianas pessoais, interpessoais e espirituais que dirigem nossas vidas. Após refletirmos, temos condições de analisar nossas faltas voluntárias e involuntárias, pedindo perdão a DEUS, nos comprometendo a melhorar nosso relacionamento com nossos semelhantes, nossa conduta moral, social, religiosa, praticando TSEDAKÁ, que nada mais é que justiça social.


No segundo dia(20), conscientemente,após análise detalhada dos fatos, mostrando nosso sincero arrependimento, mais uma vez, prometemos mudar nossa rota de vida, sermos melhores como seres humanos,aceitando as diferenças, praticando o bem, amando e tolerando o próximo, respeitando a natureza, fazendo o possível e impossível para que os menos favorecidos sejam tratados com justiça social. E aí sim, pedimos a Deus que nos julgue, e nos inscreva no Livro da Vida, pois, somente ELE, sabe o destino de cada um, quem viverá, morrerá, terá notícias boas, más, saúde, quem ganhará na loteria, ou quem perderá sua fortuna. Aceitaremos pacificamente tudo que Deus determinar, pois é misericordioso, justo e ama suas criaturas.


Rosh Hashaná, não é apenas uma data sagrada para o judaísmo, más uma celebração universal, que enfatiza a necessidade de cada cidadão, ter plena consciência de sua missão nesta vida.


Após o segundo dia de Rosh Hashaná, quando DEUS já fez seu julgamento, temos oito dias de reflexão e aceitação, culminando em 27/28 setembro, com o Yom Kipur (Dia do Perdão) onde com a alma lavada e purificada, fazemos um jejum de 24 horas, aceitando o destino traçado por Deus, rezando muito, pois, em um mundo conturbado pela guerra, rezamos pela paz, em um mundo cheio de terror, rezamos pelo amor, em mundo onde reina a morte, rezamos pela vida. Rezamos também, para que nossos governantes consigam melhorar as condições sociais do povo brasileiro, diminuindo as diferenças, aumentando as possibilidades para que todos tenham uma vida digna.


Após as cerimônias, conscientes de nossas responsabilidades, aceitamos os desígnios de DEUS, ratificando nossa crença que ELE é justo, tudo que faz é perfeito. Nós, é que temos de aprimorar nossas vidas, para que a Paz, Amor e Fraternidade, sejam os pilares da justiça social.


Shaná Tová, Feliz Ano Novo a todos.




Jayme Rosenthal - Representante da Comunidade Judaica em Piracicaba-SP

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Destemperada

A parte de mim que ousa
usa meus desatinos
para alçar vôos mais altos.

Uma hora eu tiro a escada
e cuspo minha coragem.

Este coração escandaloso
jura que tem asas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Revelação
















Tinha gosto amargo
a intimidade revelada
diante dos meus olhos secos.

O carinho discreto
das mãos que se tocam
zomba da minha surpresa.

Nunca tive ciúme algum.

sábado, 29 de agosto de 2009

Infinito











O amor sussurrado através dos anos
abre com um sopro o zíper do vestido.
A magia perdura
e se renova
límpida e surpreendente
quando menos se espera.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Espelhos















As ânsias que se repetem
numa louca ladainha
rompem todos os limites
da minha esquizofrenia.
Meus mundos se sobrepõem
meus gestos se confundem
minhas palavras se revelam
um porto quase seguro.
Se escrevo
estou sã.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Janelas noturnas


A moça de olhos sinceros
esconde um segredo
sozinha
em silêncio acanhado.

Mas o amor que se disfarça
queima as entranhas da noite
quando a lua se renova.

Cuidado.

domingo, 2 de agosto de 2009

Doce veneno
























Colho as palavras que não quiseste tuas
e guardo-as para depois.

Depois:
aquela hora entre a tarde e a noite
quando a solidão pesa
e o vazio abraça o corpo cansado.
Quando as palavras que recusamos
fazem falta
bem como o abraço quente e perfumado
que não mais buscamos.

Essa hora triste e sem graça
que eu espero, vingativa,
atrás da porta.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Silêncio


Essa chuva que cai em mim
ensopa minhas frases feitas.

Tudo parece tão claro
e eu não consigo dizer nada!...

Às vezes a palavra é doce
mas não é suficiente.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Julho


O céu colorido de pipas
enche os olhos infantis

Embaixo dos sinais do tempo
o coração jovem sorri.

Faz sol.

domingo, 19 de julho de 2009

Amanhecer

foto: pangaroundthewolrd.blogspot.com
No dia vestido de azul
a palavra tem asas.
Ainda é cedo,
toda a tristeza repousa
sob o sol morno e agradável
do meio do mundo.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Estranha, eu?...



Eu não sou estranha. Estranha é a fome dos outros acerca da minha aparência. Sou muito mais que um reflexo distorcido no espelho. Não me vejo essa mulher de traços esquisitos que muitos vêem. Porque eu me enxergo além. Enxergo minhas muitas virtudes, e valorizo especialmente a virtude de ignorar, impassível, os risinhos e olhares assombrados por onde passo.
A alegria de acordar todo dia me faz plena. Pena de quem não vê.

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E se me achar esquisita, respeite também.
Até eu fui obrigada a me respeitar.

(Clarice Lispector)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

sábado, 11 de julho de 2009

Patch musical

Sábado de sol escaldante e o Media Player escarafunchando meu notebook em busca de combinações que possam traduzir esta mulher que já passou dos 30 mas não consegue sair da adolescência...
Comecei ouvindo Sharing the night together e fui subitamente transportada a outras épocas. Espinhas, insegurança, culotes, óculos e paixonites elevadas ao cubo. Tertúlias (ai, me entreguei!!), banhos demorados e expectativas elevadíssimas. Muitas. Todas as possíveis. Porque isso é adolescer. E foi tão bom!!
E enquanto o Media Player ia avançando por uma seleção no mínimo inusitada, minha adolescência transformou-se e eu cresci... Foi quando me descobri humana e passível de erros (ah, as minhas ilusões de perfeição se esvaíram de forma dolorosa e definitiva...) e por mais difícil que seja pensar a respeito, errar me tornou mais adulta e muito mais tolerante. Only human. Eu, você e todo mundo.
Aretha Franklin cantou a angústia de querer parar o tempo quando tudo fora daquele momento perdia a importância. E muitas vezes me vi, como ela, running out of time, até chegar à conclusão que o melhor mesmo era deixar de prestar atenção ao tempo, porque ele nunca seria suficiente pra viver tudo o que eu queria. Talvez seja esse o better understanding que ela queria achar, não sei.
A Cher disse que o amor machuca, mas o que seria da vida sem ele? Love hurts, sim, quando não correspondido, mas eu passei por essa fase de achar que love is just a lie. Sobrevivi. Mais que isso. Conquistei.
Faz tempo que ouvi pela primeira vez Carole King cantar So far away, mas só recentemente percebi o significado dessa falta que as pessoas nos fazem, e ela passou a fazer parte da minha seleção musical. Porque quando a saudade de tudo e de todos arrebatou esse coração escandaloso a música me tocou. Doesn’t anybody stay in one place anymore? It would be so fine to see your face in my door!... Quem nunca olhou pra traz e sentiu falta do que não volta mais (ou dos que não cruzarão outras vezes nossos caminhos?)
Don’t tell me you’re not in Love! Juro que eu estou. E por mais estranho que esse country possa parecer no meio da minha seleção, presta atenção!... Você provavelmente está in love. tanto ou mais que eu. E mesmo que esse amor não caiba na sua vida agora, estar in love é booooom demais!!
Ficar no corpo como tatuagem, Chico entrando nos meus ouvidos como bálsamo, curando as dores que todos trazemos, tatuando as palavras como eu queria tatuar as minhas, mas nem todo mundo gosta do que eu tenho pra dizer. E se eu digo mesmo assim, é porque a vida abunda em mim, transborda por meus poros e eu acabo “nem aí” pro que os outros pensam. Porque, Já que tanto faz ser ou não pra valer, como na canção que me embala agora, melhor é ser de uma vez, né?...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Saudosa


O acaso folheou as páginas
do livro que tanto reli.

Vestiu-me um meio sorriso
a palavra que pulsava.

Do sonho que se desfez
resta-me ainda o registro
daquilo que me arrebatou.

Não é mentira que eu sou feliz.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Destroços






















Do que era
nem sobrou traço
resquício
lembrança
qualquer promessa

O que foi vício
tempestade arrasadora
vendaval desgovernado
perdeu-se no caminho escuro
das muitas esperas pelo dia certo.
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