terça-feira, 30 de abril de 2013

Feliz demais!

Vim dividir com vocês um pouco da minha felicidade: fui premiada no V Prêmio Literário Canon de Poesia 2012. O resultado saiu no fim do mês passado, e hoje eu recebi os exemplares. 
Foram aproximadamente 3000 inscritos, segundo o site da Canon, e apenas 50 trabalhos foram selecionados, dentre os quais estava o desta orgulhosíssima redatora que não cabe em si de tanta felicidade.


A poesia selecionada foi esta:


No álbum de capa azul
revejo a vida
colorida
dos dias que não vivi
Repousa na mão enrugada
o sonho de entortar o calendário
entrar no vestido rodado
dançar uma única valsa
e voltar
resignada e incompleta
à vida que me restou.
Eu sonho.




quinta-feira, 25 de abril de 2013

Bilhete














Cutucas o meu silêncio
com tua palavra saudosa.
Apago teus rastros em mim
mais uma vez
mas não esqueço
nunca
teu cheiro bom.

A vida me faz sorrir
quando dá voltas.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Névoa
















A névoa da incerteza
impede meus passos rápidos.
Não vejo nada além
do amor que sinto
e tropeço
confusa
no caminho que não enxergo.
Meus pés já foram firmes
mas eu não te conhecia.

Amar não é seguro
mas me basta.

Por enquanto.

sábado, 30 de março de 2013

Contemplação
















Não consigo mais
ter pressa
de me perder
nas tuas palavras
nem de prender
em meus versos
a ânsia do teu olhar.

O amor que murcha
não alimenta os dias nublados.

E se faz sol
eu não gosto.

sábado, 9 de março de 2013

Despedida II















As lacunas do silêncio magoado
enchem de espaços vazios
a noite que não acaba nunca.
O amor prestes a morrer
de inanição
cava a própria cova.

É amargo o sabor
da despedida.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Asas















Eu penso em deixar
as lembranças mais doces
e partir,
liberta ainda que triste
procurando novas paisagens.
Eu penso em chorar
mas seco as lágrimas
austera
enquanto avalio os caminhos possíveis.
Minhas asas pesam
pela falta de uso
mas eu ainda sei voar.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Saudade tem outro nome















O amor soluçado
rompe o silêncio da noite fria.

A solidão é aconchegante
mas não preenche o vazio
da tua ausência.
Saudade tem outro nome
mas eu prefiro
chamar por ti.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Dezessete


















A aliança que eu não escolhi
guarda muito mais
que o amarelo brilho de uma festa particular.
É baú de mil lembranças
costuradas em dezessete anos
de um amor que transcende
minha capacidade de compreender.
Sou só coração.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Morte















Penso na morte
com uma dose de impaciência.
Vejo pessoas queridas
atravessarem o portal
e espero,
inquieta,
a hora das pessoas incômodas.
Não quero mais aprender
com os que não pensam como eu.
Demora.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Lembrança











Nunca esqueço
daqueles olhos escuros
que prometiam me matar de amor.

Morrer tem seu tempo.
Não era hora.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Ciúme



















Meu ciúme traveste-se de indiferença
e eu finjo não me incomodar.
É mentira.
Meu sangue ferve
em silêncio
enquanto eu sorrio
desencantada
com este amor pequeno
e incompleto
que faço de conta que aceito
mas dobro, calada,
e guardo na gavetinha verde
pra usar em doses homeopáticas
tentando fazer durar.

Tem pouco.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Dúvida















A dúvida espremida
no papelzinho amassado
pesava no bolso.
Ainda me amas?

Sorri.

Nem nunca.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Dentro do armário















Meu monstro dentro do armário
olha desconfiado
minhas atitudes sãs.
Em desespero
arranha a porta
rompe as barreiras
e me sequestra
alarmado
antes que a lucidez me domine.
Perdida nos braços dele
não consigo abrir a porta.
Continuo aqui.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Quieta















Queria não ter
calado
a alegria
de ser
poeta
mas os dias rastejam
sobre meus dedos
agora tímidos.
Ando quieta.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Às vezes...
















Palavra enxaguada retorna
límpida e cheirosa
pra enfeitar meus cabelos.
Dias de silêncio profundo
enquanto não batia vento
ressecaram todos os meus adjetivos.
Sonhei que falava tudo
mas acordei muda.

Às vezes basta amor
mas nem sempre.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Não me importo





















Não me importo
que ela me desfolhe
me divida
me encarcere
me mantenha acordada
inebriada do amor que sinto
tão forte
tão forte
tão forte
que nem percebo que amanheceu
e eu não dormi.
Ainda que não seja certo
posso dormir amanhã.

sábado, 16 de junho de 2012

Desencontro
















Não desista de me desencontrar
desviar meus caminhos
entrar pela porta errada
me surpreender
Não desista de me lembrar quem sou
ou quem fui
que nesses dias de poucas memórias
toda moeda é fortuna.
Ainda não consigo cantar
mas escuto tudo.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Cobiça


















A fruta tão desejada
jaz cortada
insípida
no prato fino.

Sempre parece melhor
o que não me pertence.
Mas é difícil não cobiçar.

Nunca aprendo com meus erros.


(Foto: Shuji Kobayashi)

domingo, 25 de março de 2012

Chove
















Ainda que chova
o coração está ressecado.
A palavra que magoou
repousa, vitoriosa
entre os dois corpos insones
e distantes.
Preciso de um dilúvio.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Triste














Triste
feito dia escuro,
não amanheceu em mim.
Nem adianta procurar palavra
que o peito está cheio delas
mas nenhuma encaixa
nesse jogo estranho
onde deveriam jogar só dois
mas jogam três.

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