sábado, 12 de junho de 2010

Sinais




















Gosto de olhar as marcas
roxas
do amor sôfrego
e descontrolado
impresso em meus braços
pescoço
e entre minhas coxas.
Sinais do que não cabe
nos minutos roubados
de quem acha que tem tudo
mas não tem mais
do que parte.
Por sorte.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Mata-me

Mata-me aos poucos
nesse abraço incontido
escondido
nas horas menos visíveis.
Rasga-me a blusa
saliente
com a fome que guardas
pra quando eu chegar.
Mata-me devagar
que eu ainda quero morder-te
reter o gosto da tua pele em mim
e marcar-te a carne com minha imprudência.
Beija-me com urgência
enquanto tentas fundir meu corpo
ao corpo que já não se sabe se teu
se meu.
Mata-me então
antes que eu sinta medo
e guarda em ti
em silêncio eterno
o que deve permanecer
segredo.

sábado, 13 de março de 2010

Só













Percebo novos sinais do tempo
diante do espelho mudo.
Olho incerta a nova ruga,
torcendo que ela não esteja
mas está.

Na tentativa de manter-me sã
encho a cabeça de lembranças.
Histórias muitas que eu não sei contar
e se acumulam
cristalinas
entre um fio e outro de cabelo branco.

Espelhos e paredes não me fazem falta
mas eu moro só.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Arisca















Onde a palavra não cabe
fica o cheiro doce do silêncio
que enlaça o segundo de hesitação.
Eu tento articular a frase esperada
mas olho os olhos do espelho
e suspiro.
Nunca estou farta
mas às vezes espero novos sinais
pra saber que é a hora.
E estoco pensamentos doces
na tentativa de não enlouquecer.
Eu calo, paro, espero, fico
mas não durmo nunca
no caminho.
Sozinha.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Fantasia





















Escondida de mim mesma
visto as asas da libélula
e finjo que sei bailar.
Misturada a outras tantas
tintas de outras cores
cheiros de outras flores
canções que eu não sei cantar,
rodopio leve e lépida
entre um suspiro e um arquejo.
Travestida ou camuflada?
Vestida ou fantasiada?
Mentira séria ou inventada?
Eu não sei,
mas não faz mal...
Melhor do que a fantasia
é poder despir-se dela
no final
de todo dia.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Rainy Friday





















E porque os dias arrastam as infelicidades todas
um meio sorriso brota de novo
na boca que quer calar
mas não sabe.

A chuva lavou as calçadas
e deixou um cheiro de infância
na manhã de sexta-feira.
A palavra sossega,
desnecessária.
Estou bem.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Encantos


A palavra vestida de roupas de festa
tingiu de cor cintilante
o início da madrugada.

Imagens de outras danças
emprestavam frescor
ao meu rosto rubro.

A mão enfiada no bolso
pra não mexer nos meus cabelos
denunciava a intenção guardada.

Se eu pudesse tinha sorrido.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Segredos















Pego as palavras da tua boca
com a sofreguidão de quem anseia
pela voz encolhida em sussurro.
Ouço encantada cada palavra
e guardo, possessiva,
o arrepio silencioso que me percorre
enquanto as frases se juntam
como movidas por alguma magia.

Segredos são fábricas de poesia.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Vertigem















A vela que ilumina o corpo
reflete no copo alto
uma chama avermelhada

Não tarda a ver miragens
na água que quase brilha:

O homem que pulou da borda
no fundo do copo d’água
entrega os últimos suspiros
à moça que olha de fora.

O telefone nem toca
mas eu escuto a voz que berra.

- Me esquece, pequena.
Não sei.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Parágrafos














Leio e releio
as palavras plantadas ao acaso
procurando algum sinal.

Mal humorada
tomo um café
sacudo o livro,
discretamente.
Quem sabe a persistência infantil
mostre a chave das entrelinhas
pra que eu possa finalmente
dizer que entendo.

Mas lá no fundo
eu acho
que todas as pistas eram falsas.

Ninguém matou ninguém.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Profecia
















Estava escrito
que eu derrubaria tuas defesas
e te tornaria cativo
dominado pelo calor desse incêndio
que arde sem trégua
em mim.

Estava escrito
que eu acenderia teu caminho
com as palavras que proferi por ti
enquanto não te sabias
meu.

Estava escrito que dirias meu nome
embebido em desejo e culpa
pelo que não caberia mais
em ti.

Todo destino traçado
esperando esse encontro.
Mas eu me atrasei...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Insone





















Minhas mãos pálidas
percorrem o caminho conhecido
sem se deter.
Mesmo quando eu não quero
moldar-te
morder-te
algo me puxa em direção às costas
às coxas
à toa
me debato.
Minhas unhas vermelhas sabem
como tatuar essas tardes
nas tuas noites insones.

Dormir é para os fracos.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Não sabia...















Não sabia anoitecer em paz
e remexia as palavras secas
em busca de uma que acalentasse.

Nuvens demais sobre a lua
e nenhuma claridade no quarto
enorme.

Toda a treva armazenada no peito
cheio de cicatrizes.
Mas não tinha medo.

Só não sorria.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Inquietude



















Inquieta
reviro as palavras guardadas
em busca do que foi dito.
Esse tempo parado
estranho
sopra em mim um vento frio
que percorre meus receios
tentando me mostrar que já não estou.
Mas eu não quero crer que tenha ouvido
ou visto
não lembro
se ainda tenho rumo,
e mesmo revirando todas as palavras
não encontro nada
que me acomode.
Nasci pra não ser
mas sou.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Palavra




















Eu sangro toda palavra
nessa ânsia verborrágica
de dar nome a tudo.

A palpitação dolorosa
de não poder nominar
não estanca minha sangria.

Sigo testando as combinações
mudando os móveis de lugar
cortando os cabelos
evitando os espelhos
e fingindo alegria.
Nenhuma frase me basta.
Eu calo.

Exangue.
Exausta.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Tormenta















Já afoguei em desejo as tuas virtudes
já mergulhei tuas verdades nos meus lábios
e causei-te o riso desvairado dos enlouquecidos de amor.
Agora trago seca em minhas mãos pequenas
a raiz de todo sentimento
e me deixo queimar pelo fogo que consome lento
a vastidão seca do que já teve viço.
Nenhuma lágrima ousa tentar apagar esse ardor
de não ser mais
eu que já fui
ousada demais pra tentar fingir inocência
ou confiar nas nuvens baixas.
Nem sempre chove.

sábado, 14 de novembro de 2009

Tempo





















Remexo meus velhos guardados
e encontro a jovem que fui
sorrindo amarelo em 3 x 4.
Ah, eu não sei o que aconteceu
mas não me reconheço nas palavras alegres
das agendas que um dia escrevi.
Sinais da idade, minha mãe diria.
Não sei.
Sei que o tempo me deforma o corpo
me risca o rosto
me cansa as pernas
mas não me convence
que aquela no espelho sou eu.

domingo, 1 de novembro de 2009

Madura




















Quando eu fecho os olhos
que não enxergam além das cercas do meu jardim
tenho a impressão que o dia se faz noite
e um vento frio atravessa meu corpo banhado
provocando um arrepio comprido
que começa na nuca
e eu nem sei onde termina.

Muitos anos atrás eu me achava madura
mas não fazia idéia do que era estar pronta.
Agora eu estou.

Ou quase.

sábado, 31 de outubro de 2009

Desordem




















O sol adentra o quarto em desordem
e penetra minhas pernas semi abertas
como quem tem intimidade
e tempo.
Há tempos que eu me derreto
lava pura, magma, fogo
e queimo tudo à minha volta.
Como agora.
Abro um pouco mais as pernas
pra sentir a quentura quase tímida
e úmida
da manhã de sol.
E lembro de coisas
ou imagino
não sei, a idade me confunde
e me aperfeiçoa.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Reencontro















A ânsia desgovernada
prolonga o abraço suado.
Os braços que apertam forte
enlaçam os anos de ausência
com a sede desesperada
dos que voltam do exílio.
Não há como negar a saudade
que escorre na face corada
de quem se achava perdido.

As palavras caíram no caminho.

sábado, 10 de outubro de 2009

Madrugada






















O amor desesperado
rasga as vestes da madrugada sonolenta
toma pra si, rancoroso e embriagado
a mulher que não pode conter.
Ela parece não querer
mas não importa:
a fome de possuir é maior que o medo
E ela há de pensar que foi um sonho
e consolar-se amanhã nos braços lanhados
do amor que dilacera-se em segredo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Confissão
















A confissão escapuliu-me da boca
e ecoou
solitária
na noite quente.
Minha palavra incontida
não encontrou companhia
no coração empedrado.

Nunca me incomodei com o silêncio
até que ele pesou em meus ouvidos.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Tempus fugit














É verde o canto das ondas
batendo em chicotadas frias
nas pernas que já não correm.
O murmúrio repetido
do vai e vem da água salgada
repete num mantra sentido:
carpe diem.

Se der tempo.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sussurro















Minha boca desacostumada a calar
tenta engolir com a saliva
o gosto que não deveria sentir.

Pulsa em mim
em desafio
o nome doce e proibido
da palavra que não se limita:

amor.

domingo, 27 de setembro de 2009

Do que me toca


CORPO
(Everardo Norões)

Teu corpo
se enxuga em minha água:
calafeta,
enxágua.
Completa
o que não vem de mim.
E por ser água e calma,
sonâmbula
como a
distraída voz do lume,
lembra um vago perfume
de jasmim.



(Natural de Crato, Ceará, o economista, poeta e crítico literário Everardo Norões escreve artigos e crônicas para jornais e também se exercita na criação teatral. É co-autor das peças Auto das Portas do Céu e Nascimento da Bandeira, de Ronaldo Correia de Brito. Para ver outras criações deste poeta, clique aqui)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Eu não sou a Martha Medeiros!!

Gente, como vocês leram no post abaixo eu estou numa corrida contra o mau uso dos meus escritos hoje... Não é que eu não goste de vê-los espalhados pela net. Ao contrário, sinto uma alegria imensa em perceber que o que escrevo toca tantas pessoas assim. O problema é a confusão que se faz. Agora há pouco eu vi a mesma poesia do post abaixo, Fotografia, atribuida à Martha Medeiros!
Sou uma fã incontestável dos escritos da Martha, que é uma forte referência no meu trabalho, mas não me confundam, por favor!...
Acho que vou parar de procurar no google, senão vou ter um ataque cardíaco ainda hoje!...

É meu!!

Descobri ontem à noite, absolutamente por acaso, uma poesia minha (Fotografia) atribuída à Lya Luft em um blog. Não sei se é pra ficar chateada ou honrada, afinal quem me dera escrever como a Lya Luft, mas o fato é que o que é meu é meu, né...
Preenchi um cadastro super detalhado para poder deixar um comentário na página da moça, que espero que leia e atenda meu pedido de corrigir o equívoco. Como a postagem já é um tanto antiga (de junho deste ano), não sei se ainda é uma página ativa, nem sei se ela vai me atender...
Logo em seguida, ressabiada com o fato, busquei novamente um trecho da mesma poesia no no Google, e lá estava de novo a dita cuja utilizada sem qualquer crédito em outro lugar, na descrição do perfil da autora de outro blog. E agora cedo vi que a net está infestada de meus poemas com créditos indevidos ou, pior, sem crédito algum...
Descobri também que sou mais famosa do que pensava (rsrsrs), porque tem um monte de gente legal ilustrando seus sites com meus escritos devidamente identificados. A estes um obrigada especial, principalmente porque no meio de um dia conturbado ver que sou referência pra alguém me faz sentir muito bem. Àqueles que me mandaram e-mails preocupados em corrigir o erro eu agradeço também. Fiquei feliz com o retorno. Entretanto, há aqueles que continuam "me usando" sem sequer pagar meu cachê (rsrsrs). A esses, por favor, um pouco mais de decência.
Gente, juro que dá vontade de não escrever mais nada.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Inside


Esse sentir
por mim rotulado
pulou, saliente, pela minha janela
e se escondeu embaixo do meu travesseiro.
Deixou minha vida mais cheia,
e minha alma bem mais leve.

Amor, quem sabe, pra vida toda
ainda que muito breve.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Shaná Tová!



5770- Shaná Tová - Feliz Ano Novo
Jayme Rosenthal




Hoje, 18 de setembro de 2009, ao entardecer, assim que surgir a primeira estrela no céu, segundo o Velho Testamento, 1º dia do mês de Tishrei do calendário lunar, a comunidade judaica do mundo inteiro, começa a comemorar Rosh Hashaná, que literalmente significa "cabeça do ano" ou Ano Novo.


Rosh Hashaná é o início do Ano Novo e aniversário da criação do mundo a partir do homem. No sexto dia, do pó Deus fez o homem estático, assoprou suas narinas e deu-lhe vida. Deu-lhe também, o livre arbítrio, que não foi atribuído no primeiro dia da criação as galáxias, plantas, animais e tudo que compõe o globo terrestre. E, no sexto dia, após terminar sua obra, Deus disse: "e foi bom", descansando no Shabat (sábado) de toda obra que fizera. Coincidentemente, nesta data, a história se repete, começamos um novo ciclo de vida.


Rosh Hashaná também chamado "dia do julgamento", é comemorado em dois dias, sendo dia 18 de setembro, véspera do Ano Novo. Começamos nossas orações, demonstrando nosso arrependimento. No primeiro dia,(19) fazemos uma avaliação sobre o ano que passou, nosso comportamento e estilo de vida, ou melhor, sobre o conjunto de valores, ambições, escolhas cotidianas pessoais, interpessoais e espirituais que dirigem nossas vidas. Após refletirmos, temos condições de analisar nossas faltas voluntárias e involuntárias, pedindo perdão a DEUS, nos comprometendo a melhorar nosso relacionamento com nossos semelhantes, nossa conduta moral, social, religiosa, praticando TSEDAKÁ, que nada mais é que justiça social.


No segundo dia(20), conscientemente,após análise detalhada dos fatos, mostrando nosso sincero arrependimento, mais uma vez, prometemos mudar nossa rota de vida, sermos melhores como seres humanos,aceitando as diferenças, praticando o bem, amando e tolerando o próximo, respeitando a natureza, fazendo o possível e impossível para que os menos favorecidos sejam tratados com justiça social. E aí sim, pedimos a Deus que nos julgue, e nos inscreva no Livro da Vida, pois, somente ELE, sabe o destino de cada um, quem viverá, morrerá, terá notícias boas, más, saúde, quem ganhará na loteria, ou quem perderá sua fortuna. Aceitaremos pacificamente tudo que Deus determinar, pois é misericordioso, justo e ama suas criaturas.


Rosh Hashaná, não é apenas uma data sagrada para o judaísmo, más uma celebração universal, que enfatiza a necessidade de cada cidadão, ter plena consciência de sua missão nesta vida.


Após o segundo dia de Rosh Hashaná, quando DEUS já fez seu julgamento, temos oito dias de reflexão e aceitação, culminando em 27/28 setembro, com o Yom Kipur (Dia do Perdão) onde com a alma lavada e purificada, fazemos um jejum de 24 horas, aceitando o destino traçado por Deus, rezando muito, pois, em um mundo conturbado pela guerra, rezamos pela paz, em um mundo cheio de terror, rezamos pelo amor, em mundo onde reina a morte, rezamos pela vida. Rezamos também, para que nossos governantes consigam melhorar as condições sociais do povo brasileiro, diminuindo as diferenças, aumentando as possibilidades para que todos tenham uma vida digna.


Após as cerimônias, conscientes de nossas responsabilidades, aceitamos os desígnios de DEUS, ratificando nossa crença que ELE é justo, tudo que faz é perfeito. Nós, é que temos de aprimorar nossas vidas, para que a Paz, Amor e Fraternidade, sejam os pilares da justiça social.


Shaná Tová, Feliz Ano Novo a todos.




Jayme Rosenthal - Representante da Comunidade Judaica em Piracicaba-SP

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Destemperada

A parte de mim que ousa
usa meus desatinos
para alçar vôos mais altos.

Uma hora eu tiro a escada
e cuspo minha coragem.

Este coração escandaloso
jura que tem asas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Revelação
















Tinha gosto amargo
a intimidade revelada
diante dos meus olhos secos.

O carinho discreto
das mãos que se tocam
zomba da minha surpresa.

Nunca tive ciúme algum.

sábado, 29 de agosto de 2009

Infinito











O amor sussurrado através dos anos
abre com um sopro o zíper do vestido.
A magia perdura
e se renova
límpida e surpreendente
quando menos se espera.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Espelhos















As ânsias que se repetem
numa louca ladainha
rompem todos os limites
da minha esquizofrenia.
Meus mundos se sobrepõem
meus gestos se confundem
minhas palavras se revelam
um porto quase seguro.
Se escrevo
estou sã.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Janelas noturnas


A moça de olhos sinceros
esconde um segredo
sozinha
em silêncio acanhado.

Mas o amor que se disfarça
queima as entranhas da noite
quando a lua se renova.

Cuidado.

domingo, 2 de agosto de 2009

Doce veneno
























Colho as palavras que não quiseste tuas
e guardo-as para depois.

Depois:
aquela hora entre a tarde e a noite
quando a solidão pesa
e o vazio abraça o corpo cansado.
Quando as palavras que recusamos
fazem falta
bem como o abraço quente e perfumado
que não mais buscamos.

Essa hora triste e sem graça
que eu espero, vingativa,
atrás da porta.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Silêncio


Essa chuva que cai em mim
ensopa minhas frases feitas.

Tudo parece tão claro
e eu não consigo dizer nada!...

Às vezes a palavra é doce
mas não é suficiente.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Julho


O céu colorido de pipas
enche os olhos infantis

Embaixo dos sinais do tempo
o coração jovem sorri.

Faz sol.

domingo, 19 de julho de 2009

Amanhecer

foto: pangaroundthewolrd.blogspot.com
No dia vestido de azul
a palavra tem asas.
Ainda é cedo,
toda a tristeza repousa
sob o sol morno e agradável
do meio do mundo.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Estranha, eu?...



Eu não sou estranha. Estranha é a fome dos outros acerca da minha aparência. Sou muito mais que um reflexo distorcido no espelho. Não me vejo essa mulher de traços esquisitos que muitos vêem. Porque eu me enxergo além. Enxergo minhas muitas virtudes, e valorizo especialmente a virtude de ignorar, impassível, os risinhos e olhares assombrados por onde passo.
A alegria de acordar todo dia me faz plena. Pena de quem não vê.

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E se me achar esquisita, respeite também.
Até eu fui obrigada a me respeitar.

(Clarice Lispector)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

sábado, 11 de julho de 2009

Patch musical

Sábado de sol escaldante e o Media Player escarafunchando meu notebook em busca de combinações que possam traduzir esta mulher que já passou dos 30 mas não consegue sair da adolescência...
Comecei ouvindo Sharing the night together e fui subitamente transportada a outras épocas. Espinhas, insegurança, culotes, óculos e paixonites elevadas ao cubo. Tertúlias (ai, me entreguei!!), banhos demorados e expectativas elevadíssimas. Muitas. Todas as possíveis. Porque isso é adolescer. E foi tão bom!!
E enquanto o Media Player ia avançando por uma seleção no mínimo inusitada, minha adolescência transformou-se e eu cresci... Foi quando me descobri humana e passível de erros (ah, as minhas ilusões de perfeição se esvaíram de forma dolorosa e definitiva...) e por mais difícil que seja pensar a respeito, errar me tornou mais adulta e muito mais tolerante. Only human. Eu, você e todo mundo.
Aretha Franklin cantou a angústia de querer parar o tempo quando tudo fora daquele momento perdia a importância. E muitas vezes me vi, como ela, running out of time, até chegar à conclusão que o melhor mesmo era deixar de prestar atenção ao tempo, porque ele nunca seria suficiente pra viver tudo o que eu queria. Talvez seja esse o better understanding que ela queria achar, não sei.
A Cher disse que o amor machuca, mas o que seria da vida sem ele? Love hurts, sim, quando não correspondido, mas eu passei por essa fase de achar que love is just a lie. Sobrevivi. Mais que isso. Conquistei.
Faz tempo que ouvi pela primeira vez Carole King cantar So far away, mas só recentemente percebi o significado dessa falta que as pessoas nos fazem, e ela passou a fazer parte da minha seleção musical. Porque quando a saudade de tudo e de todos arrebatou esse coração escandaloso a música me tocou. Doesn’t anybody stay in one place anymore? It would be so fine to see your face in my door!... Quem nunca olhou pra traz e sentiu falta do que não volta mais (ou dos que não cruzarão outras vezes nossos caminhos?)
Don’t tell me you’re not in Love! Juro que eu estou. E por mais estranho que esse country possa parecer no meio da minha seleção, presta atenção!... Você provavelmente está in love. tanto ou mais que eu. E mesmo que esse amor não caiba na sua vida agora, estar in love é booooom demais!!
Ficar no corpo como tatuagem, Chico entrando nos meus ouvidos como bálsamo, curando as dores que todos trazemos, tatuando as palavras como eu queria tatuar as minhas, mas nem todo mundo gosta do que eu tenho pra dizer. E se eu digo mesmo assim, é porque a vida abunda em mim, transborda por meus poros e eu acabo “nem aí” pro que os outros pensam. Porque, Já que tanto faz ser ou não pra valer, como na canção que me embala agora, melhor é ser de uma vez, né?...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Saudosa


O acaso folheou as páginas
do livro que tanto reli.

Vestiu-me um meio sorriso
a palavra que pulsava.

Do sonho que se desfez
resta-me ainda o registro
daquilo que me arrebatou.

Não é mentira que eu sou feliz.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Destroços






















Do que era
nem sobrou traço
resquício
lembrança
qualquer promessa

O que foi vício
tempestade arrasadora
vendaval desgovernado
perdeu-se no caminho escuro
das muitas esperas pelo dia certo.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

No meu radinho















O que será que te excita?
Doces Cariocas

O que será que te anima?
O que será que te anima?
Bonecos de Vitalino
ou porcelanas da China?

O que será que te domina?
O que será que te domina?
Exércitos de Roma
ou a bomba de Hiroshima?

O que será que te balança?
O que será que te balança?
O xote de Don Quixote
ou o can-can que a França dança?

O que será que te adormece?
O que será que te adormece?
Mágicas no cabelo
ou um abraço que te aquece?

O que será que te excita?
O que será que te excita?
A cachaça Ipióca
ou o tinto da Periquita?

O que será que te dá vida?
O que será que te dá vida?
A saudade da chegada
ou a certeza da partida?



(E você? Sabe o que te excita?...)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Da moça de branco




















Aquilo que não é vaidade
rói as entranhas da moça de branco

Entre as vestes esvoaçantes
traz a luz suave de quem não sofre
os olhos curiosos de quem fantasia
o coração apertado de quem não pode
o frio na espinha de quem não teme

Abraça a hora secreta
sentindo os segundos escorrerem
pelas costas suadas.

Na noite de vento frio
nem tudo é palavra.
Presta atenção.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O que de fato importa...

"Não me interessa saber o que você faz para ganhar a vida. Quero saber o que você deseja ardentemente, se ousa sonhar em atender aquilo pelo qual seu coração anseia. Não me interessa saber a sua idade. Quero saber se você se arriscará a parecer um tolo por amor, por sonhos, pela aventura de estar vivo. Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua. Quero saber se tocou o âmago de sua dor, se as traições da vida o abriram ou se você se tornou murcho e fechado por medo de mais dor! Quero saber se pode suportar a dor, minha, ou sua, sem procurar escondê-la, reprimi-la ou narcotizá-la. Quero saber se você pode aceitar alegria minha ou sua; se pode dançar com abandono e deixar que o êxtase o domine até as pontas dos dedos das mãos e dos pés, sem nos dizer para termos cautela, sermos realistas, ou nos lembrarmos das limitações de sermos humanos. Não me interessa se a história que me conta é a verdade. Quero saber se consegue desapontar outra pessoa para ser autêntico consigo mesmo, se pode suportar a acusação de traição e não trair a sua alma. Quero saber se você pode ver beleza mesmo que ela não seja bonita todos os dias, e se pode buscar a origem de sua vida na presença de Deus. quero saber se você pode viver com o fracasso, seu e meu, e ainda, à margem de um lago gritar para a lua prateada: "Posso! "Não me interessa onde você mora ou quanto dinheiro tem. Quero saber se pode levantar-se após uma noite de sofrimento e desespero, cansado, ferido até os ossos, e fazer o que tem que ser feito pelos filhos. Não me interessa saber quem você é e como veio parar aqui. Quero saber se você ficará comigo no centro do incêndio e não se acovardará. Não me interessa saber onde, o que, ou com quem você estudou. Quero saber o que o sustenta a partir de dentro, quando tudo mais desmorona. Quero saber se consegue ficar sozinho consigo mesmo e se, realmente, gosta da companhia que tem nos momentos vazios." (The invitation, inspirado por Sonhador da Montanha Oriah, índio ancião americano, maio de 1994)

sábado, 13 de junho de 2009

Perdida














Sigo andando nessa rua que não conheço
que casa será a minha?
quem me aguarda para jantar?
onde deixei minhas lembranças?
O carro passa por mim
alguém acena
eu não sei
se consigo chegar
não ignoro os sinais
mas não lembro o que eles significam
e por isso não temo.
Perdi tudo o que era memória
mas meu nome eu sei de cor
não guardei nenhuma história
não lembro de nenhuma dor.
Caminho nessa rua que não conheço
minha casa, eu não sei
ora lembro
ora esqueço...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Inesperada


A palavra estava guardada
e sorriu, triunfante
quando acendeu meus olhos.
As surpresas de todo dia
iluminam o meu caminho.
Eu sigo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Vai passar


















A vida inundada transgride
e recusa-se a chorar a perda.

Um dia o sol seca tudo
Enquanto isso
reescrevo cada verso
com as palavras que aprendi.
Eu teimo.

Não há flores na minha janela
mas o beija-flor vem todo dia
beber a água com açúcar.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Recomeço





















A vida retoma o curso
lentamente

Busco ainda as frases soltas
as lacunas cheias de significados
as dores que escondi
entrelinhas.

De vez em quando a palavra chega
piedosa
e se aconchega na linha vazia
tentando me fazer outra vez
aquela mulher incompleta
que busca sentidos no que não existe
e escreve como se morresse
todo dia.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Uma vida sem back-up




















Não. por favor, não ria de mim. Porque pra mim essa foi uma das piores coisas que podiam ter acontecido. Hd resetado. Limpo. Cheirando a casa nova, tinta fresca, madeira recém-cortada.

E enquanto os vingativos de plantão vão tentando fazer piada com minha irresponsabilidade eu só posso lamentar. Perdi muito mais que arquivos. Eram anos de escritos, fotos, mais de 3000 músicas. Coisas que já não voltam mais...

Perdi parte da minha vida, que hoje tento aos poucos resgatar através de pen-drives e discussões. Mas não tenho muitas esperanças.
Aquele fio de cabelo branco que me caiu nas coxas e eu jurei não ser meu parece gritar comigo. Cadê a responsabilidade que deveria vir com a idade? Eu não sei... Só sei que não tenho mais nada do que escrevi. As páginas estão todas vazias...

Igual a mim...
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