sexta-feira, 3 de abril de 2009

Desesperos secretos










A voz que vem de mim
quer que eu pare.
Finjo que não escuto
busco justificativas
pretextos tolos
para continuar.
Por mais que eu tente
não querer
o controle me foge.
Entra em mim
este alimento
que não me nutre
mas me entorpece.
E eu esqueço tudo
o que tinha prometido.

Eu me passo pra trás o tempo todo...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Valsinha









Aquele que declinou da dança
suspira
Não havia ninguém olhando
mas ele temia errar
e ela buscou outros pares.

A magia acaba à meia-noite
mas nem sempre...

terça-feira, 31 de março de 2009

Caçadora...











Caçadora
que se rendeu à caça
repouso agora sobre os restos
da sangria que causei.
Recolho minhas armas e sigo
sem qualquer orgulho
na tentativa de reparar
o que não tem conserto.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Leveza...











A leveza que me faz flutuar
sai dessa força que eu não sabia
trazer comigo.

O silêncio
muitas vezes
é um ato de contrição
e coragem.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Tempestade










Nesse dilúvio
afundo meus versos.
Esqueço que sou pequena
operária de palavras que gritam
meus conflitos.
Nado pra não morrer.


(Exagerada.
Só sei boiar.)

segunda-feira, 23 de março de 2009

Lembrando











Água de chuva
vento forte
cano que vira bica...
Escrava das boas lembranças
alimento meus dias
cinzentos
com o perfume
amadeirado
das fotos desbotadas.

Selinho pra mim!

Minha amiga Alcinea, na onda dos selinhos, me passou esse selo lindo que passo agora a ostentar com o maior orgulho:
Obrigada!
Agora, minha lista dos 15 que valem a pena acompanhar:

sábado, 21 de março de 2009

Em claro










Rasga minha madrugada
a mulher magoada
que eu não percebia.
Repousa em minhas angústias
e mostra
com um sorriso de escárnio
o espaço vazio na cama.
Como uma mancha na parede branca
a solidão desenha meu rosto.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Não sei










Eu não sei
não ser
abstrair de mim
a alma
e ser só
objeto que se move
em segredo
enquanto tudo ao redor
vibra e chama.

Algo em mim
quer até sentir
medo

mas não há medo
em quem ama...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Eu não sei guardar segredo...













Aquele que guarda segredo
já não sabe esperar o abraço.
Traz a voz rouca
e o descompasso
de quem se sabe
a outra face da promessa.

A carne pulsa
tem pressa
mas não pode
escolher a hora.

Aquele que guarda segredo
já não pode com tanta demora...

terça-feira, 17 de março de 2009

Deixa que eu conto


Mesmo depois da tristeza ter ido embora ela ainda ficou por ali, olhos fechados, sentindo o vento que vinha da única janela aberta. Havia muito tempo não chorava, e até já tinha esquecido da sonolência que o choro sentido e convulsivo deixa quando passa. Abraçou uma almofada e tentou limpar a mente de tudo o que parecesse significativo. Adormeceu sem se dar conta que a porta estava destrancada, e não viu quando ele entrou.
Não percebeu, também, o olhar enigmático em sua direção, não sentiu as mãos que passeavam pelos seus cabelos curtos em desalinho, nem conseguiu sentir a ternura que saía daquele toque suave. O desconhecido que a tocava entrou em seu sonho como uma sombra, mas não sentiu medo. Sabia que ele não a faria mal algum.
E porque não tinha medo não ofereceu qualquer resistência quando ele desceu as mãos pelo rosto e encontrou a curva do pescoço macio, detendo-se naquele pedaço do corpo tão sensual e ao mesmo tempo tão frágil. Quando ele apertou-lhe a garganta ela sequer abriu os olhos. Não faltou-lhe o ar de imediato, nem tampouco sentiu dor. Ouviu um pequeno estalo e tudo escureceu.
Quando a empregada chegou para trabalhar no dia seguinte estranhou a porta entreaberta. O grito logo preencheu o ambiente decorado em tons de terra. Um alvoroço tomou conta dos vizinhos quando a notícia se espalhou. Ninguém ouvira nada, nem havia visto qualquer estranho entrar no edifício. Não havia qualquer pista que pudesse levar ao dono dos dedos que deixaram aquelas estranhas marcas arroxeadas no pescoço alvo da jovem que jazia, inerte.
As conversas de corredor não tardaram a começar. Logo, cada morador tinha seu suspeito. Pereira achava muito estranho o comportamento daquele jovem do 801, sempre de preto e com ar soturno, mas Duarte não concordava. Achava que devera ser alguém que havia subido com ela ao apartamento na noite anterior ao crime, mesmo não existindo qualquer registro de visitas na portaria. O carro dela tinha película escura, logo ela poderia ter chegado com alguém. Ou não?
Dona Suzana desconfiava do morador do 203, um senhor calvo, careca e obeso, que aos 40 e poucos anos ainda morava com a mãe e dividia seus dias entre o computador e o binóculo que usava para ver de perto a vida alheia. A vizinha do 502, sempre calada mas muito observadora, discordava de dona Suzana. Um sujeito como aquele não conseguiria entrar sem fazer barulho, e mimado pela mãe daquele jeito seria incapaz de matar uma formiga. Não, o assassino era outro. E continuava escondido sob o véu da incerteza, disfarçado sabe-se lá do quê, ou de quem.
Na dúvida, cada um antes de dormir fazia questão de conferir se as portas estavam devidamente trancadas, bem como todas as janelas. Alguns mais preocupados ainda colocaram alarmes e outros dispositivos de segurança. Mas tranqüilidade mesmo, ninguém nunca mais conseguiu ter. A não ser, claro, o respeitado morador do 601 que, semanas antes, ao passar pela porta do apartamento da jovem que morava sozinha não pode deixar de perceber a porta entreaberta e resolveu entrar.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Rastros














Enquanto traço meu caminho
pensando
o suor desenha em mim
um rastro
descendo
por curvas
vales
fendas
lembrando
das mãos que deixaram marcas
e ensaiaram danças.
Eu corro
mas não consigo
não pensar...

domingo, 15 de março de 2009

Música de hoje










Do nada pra lugar nenhum
(Nilson Chaves/Vital Lima)


Lembro de quanto tudo era doce
Lembro de quando tudo era vivo
Dentro de dois a força de ser só um
Hoje te vejo assim espantada
Como perdida em uma ilha e essa estrada
Que vai do nada pra lugar nenhum
Lembro da gente sempre bem perto
Por um caminho curto e direto
Atravessando os mares sem medo algum
Hoje te vejo em destino incerto
No meio desse imenso deserto
Que vai do nada pra lugar nenhum
O que será que existe dentro de nós dois
Além daquela vontade
Descobrir a verdade antes de tudo
O que haverá no muro entre nós dois
Além daquele espaço estranho
Escuro e mudo
Não há tristeza mais dolorida
Do que ter tido tudo na vida
E de repente perceber que é comum
Ser mais uma pessoa enganada
Ver o rumo confuso da estrada
Que vai do nada pra lugar nenhum...

sábado, 14 de março de 2009

Crepúsculo









A tarde sepultava um dia atormentado.
Nada de novo,
mas sempre a mesma esperança
de que o grito não ecoe.
As cicatrizes que ganhei
deixam meu olhar sombrio.

Só porque eu sorrio não quer dizer que sou feliz.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Às vezes eu não entendo...














Tão fácil
duas ou três palavras
e o dia acaba...

Já tentou gostar de mim?

quarta-feira, 11 de março de 2009

Desespero











Essa imensidão
que me abraça
e me puxa pra dentro
do abismo
fala de mim como se eu fosse
velha conhecida
dos labirintos
eternos
escuros
gelados
que se formam
toda vez
que eu quero desistir.

Eu não sorrio
nem temo
mas ainda não sei
se mergulho...

terça-feira, 10 de março de 2009

Palavras de quem entende...














Contágio
(Bruna Lombardi)

Feroz em nós uma paixão de novo
nos ameaça
nos faz vibrar, o sangue flui
sobe no rosto
de repente a gente fica
disposto a tudo
e tudo é pouco
não importa que essa loucura
não tenha alívio
a gente muda, respira de outro jeito
arfa no peito sempre uma pressa
sempre aquela vontade
sozinha fico metade
depressa me abraça, uma saudade
que dói, uma coisa que arrebenta
e não se agüenta mais.
A gente se entrega ao risco
arrisca a pele, perde o rumo
no prazer dessa desorientação
A gente quer explodir e não pode
quer se conter e não sabe
quer se livrar do jugo da paixão
mas não quer que ela acabe.

sábado, 7 de março de 2009

Ventania


Vento frio
nenhuma dor me sufoca
mais do que essa.
O ar que entra em mim
dilacera minha loucura.
Estou calma.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Pausa












Sem combustível
para meus rompantes
estaciono minhas fantasias
desejos
loucuras
e espero
saudosa
que as nuvens dissolvam-se
sobre mim.
Cansei.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Gorda










Sinto
que não caibo em mim.
Minhas curvas
abrigam um ser indócil
que se expande
a cada lágrima.
Culotes
braços
celulites
amargam a minha boca
Como
numa tentativa
de esquecer.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

E se...

E se nunca mais eu for
pétala
da pálida flor?
E se assim
de repente
eu permanecer
fértil
de todas as palavras
e nunca mais sentir
medo
de calar subitamente,
será que essa cor
que a flor ganhou
transforma
pra todo o sempre
a vida que era quase
invisível
em riso que não se esconde
e deixa as manhãs
ensolaradas
com gosto de chuva fina
rede
e abraço
que faz estremecer?...

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Há treze anos...


Chuviscava
eu tinha medo
eu cheguei cedo
eu quis voltar
Minha mão tremia
eu hesitei
Meu coração
não me cabia.

Eu não sabia
que seria
tão feliz.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Inquietude















Ao menos não guardo a dúvida
nesse pote de poesia
desnuda de vergonha.
Tenho, sim, um sinal
que me acompanha:
uma ânsia que corre
em minhas veias
e limita meus medos
a aranhas, cobras e afins.
Medo de amar?
Nem sei o que é.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Dos sonhos que angustiam

Porque estava insegura ficou espiando da beira. Até que o ar fresco e a vontade de experimentar novas aventuras a fizeram pular de cabeça. A sensação da água entrando nos pulmões era incômoda, e deu-se conta que estava sozinha ali no meio de um sonho angustiado. A respiração era impossível, e os braços agitavam-se freneticamente, numa tentativa urgente de não sucumbir à violência do mar em ressaca.
Não, ela não sabia nadar. Mas tentou até o fim.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Playlist

Embalando minha noite deliciosamente nublada, 8 músicas cheias de significados...
1. Sob Medida - Fafá de Belém (audaciosa até a última vírgula...)
2. Encontros e Despedidas - Maria Rita (Lembra que tudo acaba. Pra recomeçar depois...)
3. Coração Selvagem - Belchior (Corações selvagens não temem o amor...)
4. Paixão - Kleiton e Kledir (precisa explicar?...)
5. O Bem e o Mal - Danilo Caymmi (pra acalentar meu lado B)
6. I Need You - 14 Bis e Boca Livre (Beatles beeem gostoso na voz desses caras incríveis...)
7. Poderoso Chefão, a Canção - Orlando Morais (Porque o amor transforma, e é tão bom!...)
8. Tatuagem - Chico Buarque (fala sério, pensou mesmo que eu ia esquecer?...)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Nem sei...


O que seria
dessa minha existência
quase insípida
sem as surpresas
transformadoras
do amor que plantei?...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Pequena felicidade

A palavra que ecoa no ouvido
não chegou a ser dita
mas trouxe um brilho diferente
a esta manhã sem sol.

O dia parecia estéril
até que a frase surgiu
pequena,
iluminada
despertando o amor que escorria
distraído
por baixo da porta...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Livros soltos hoje cedo

Quatro novos livros fazem parte desde hoje cedo do projeto Livro Livre e estão circulando por aí:











Se você encontrar algum deles pode levá-lo para ler. Depois, não esqueça de soltá-lo novamente!...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Pra nunca mais



Ter ainda
um último beijo

Fazer amor
até saciar
o último desejo

E então partir
pra nunca mais...
Nunca mais...
Até amanhã
de manhã cedo

(Augusto Oliveira)

Palavras que não se guardam...












Recebe esse sentir
que rabisco
nessa página da tua vida
e acolhe em ti essa sensação
inesperada
e intensa
de ser senhor
- ainda que escravo -
deste amor
que não pensavas verdadeiro,
não querias absoluto,
não sabias eterno.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Projeto Livro Livre Amapá


O professor Ivan Carlo, do blog Idéias de Jeca Tatu, lançou um projeto muito interessante: o Livro Livre Amapá. Trata-se de uma iniciativa de incentivo à leitura patrocinada e divulgada pelos blogueiros amapaenses. A idéia é soltar livros pela cidade. A pessoa que pegar, leva para casa, lê e depois solta o livro em um local público, e assim permite-se que mais e mais pessoas tenham acesso à leitura. No blog Livro Livre Amapá é possível conferir os livros que foram libertados e comentar a leitura. Este blog aderiu à causa e vai começar a libertar alguns livros pela cidade. Iniciativas como esta, do Ivan, nos mostram que existem muitas maneiras de colaborar com a educação. Liberte um livro você também!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Esperando...


Esperando
o medo perder a briga
a chuva embalar o sonho
a música certa tocar
Querendo
um dia inteirinho
uma rede
e o silêncio
de quem não precisa
não quer
não ousa
dizer nada...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

E eu estava lá...

Olhou ao redor e viu a mulher dos seus sonhos, observando distraída o movimento. Passou por todos, lentamente, antevendo o prazer de tocá-la, adiando a hora em que sentiria novamente em suas mãos a pele quente e macia daquela que habitava seus desejos mais íntimos e secretos. Um a um, cumprimentava a todos no caminho. Queria demorar, queria segurar ao máximo aquela sensação de gozo iminente, o prazer que sabia que viria em ondas fortes, inundando seu ser outrora sem vida.
Ninguém parecia notar que cada passo na direção dela era um passo a menos em sua dolorosa espera. O corpo todo tremia ao avançar adiante, como se todas as forças do seu ser estivessem empenhadas em combater aquele magnetismo que ela exercia em relação a ele. Ele que não podia, ele que não sabia como lidar com aquela dor na boca do estômago, que de todas as maneiras havia combatido aquele querer proibido, em vão...
Quando ela o viu, chegando perto, o sorriso mais iluminado do universo se abriu naqueles lábios rosados. Se não precisasse controlar-se tanto, se já não estivesse preso a tantas outras amarras... ah, quem quer saber de convenções, critérios, posturas... As mãos suadas e trêmulas dele ensaiaram um carinho discreto na pele rubra das faces de sua bela, segundos antes de encostarem-se num abraço quase casual, olhos semicerrados, fazendo de conta que não estavam aguardando pelo abraço, pelo beijo, pelos cheiros todos que emanavam daquele encontro...
Segredos devem ser bem guardados, e ela tentou se afastar. Ele riu baixinho da preocupação dela com a proximidade dos corpos que ardiam, mas em silêncio sabia que era o melhor a fazer. Antes de seguir, cumprimentando outras pessoas que vinham em sua direção, ainda teve tempo de tocar-lhe a cintura fina uma vez mais, num rápido carinho... E a noite toda converteu-se num único momento. E aqueceu os que amavam num envolvente e terno abraço cúmplice. Porque as palavras são todas absolutamente desnecessárias quando alguém fecha os olhos para abraçar.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Dos compartimentos secretos...










Essa mulher em que pensas
não tem a face que guardas.
Não sabes ler em sua face
porque não consegues ver
nos sorrisos escondidos
olhares dissimulados
gemidos, suores, pecados.
Traz a liberdade dos que não se prendem,
e reflete o brilho que não me cobre
dança cirandas que não me atrevo
atravessa pontes que nunca cruzo
grita palavras que eu não digo.
Essa mulher a que te acorrentas
é mais que um rosto que brilha
É a face do mal que não sabes
que trazes também contigo
rompantes, vendavais, enchentes
febre, crime e castigo.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Bailarina

Mora em mim essa bailarina
tardia
que desconhece o medo de errar
ousada
inventa novas formas de flutuar
visionária
Usa a linguagem do corpo
intensa.
Mora em mim essa mulher
que baila
que ri e que chora,
verdadeira
Ensaia repetidamente cada passo
operária
E faz de mim pessoa
inteira

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Meu Lado B













TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

(Ferreira Gullar)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Da minha coleção de lembranças alheias...

Não olhei pra trás. Atravessei a rua fingindo interesse em alguma vitrine do outro lado e até entrei na loja pra disfarçar. Comprei o primeiro par de sapatos que vi, uma sapatilha preta que até hoje não usei. Não lembro da vendedora, lembro só que aceitei o copo de água que ela me ofereceu. Saí com a sacola na mão e o coração enfiado no bolso do jeans. Uma tarde que tinha tudo pra ser especial, mas que deixou um cheiro de derrota em mim. Nunca mais voltei naquele café. Cheguei em casa dolorida, a luta comigo mesma foi dura. Não sei se venci ou perdi. Não derramei nenhuma lágrima, mas até hoje não consigo esquecer seu rosto ironicamente satisfeito ao me dispensar. Eu merecia um amor melhor, mas só você estava disponível e eu me enganei. Não entendi suas mensagens, e esqueci de usar cinto de segurança. Tem um monte de coisas que eu quero fazer antes de morrer, mas me prendi naquela tarde e nunca mais o café teve o mesmo gosto.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Presente












Leva contigo guardado
meu sentimento mais doce

que não tem pressa, não sufoca
não escreve nem manda recado
não arde, não fere nem queima.

Leva contigo guardado
meu sentimento mais sagrado
disfarçado de poema.

Deixa que o sentimento dobrado
assim até meio sem jeito
em folhas de papel pautado

saia e perfume teu dia
e transforme tua saudade
em poesia.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Calores...











Guardo a distância
que precisas
pra aplacar
teus muitos medos

Mas confesso
meu desconforto:
faz muito calor
no inferno.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Você pensa que eu não sei...


Essa agonia
de querer ser melhor
se reinventar
usar palavras difíceis
mudar a cor do cabelo
adivinhar meus pensamentos...
Não precisa ser diferente
o que me encantou
e me fez te seguir
não foi o cheiro, a roupa, o olhar...
foi a essência do que eu vi
você tentando
desesperadamente
não mostrar...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Chovia...

A chuva não impediu a dança. Os trovões com toda a sua força e ela ali, sorrindo. O vento sequer movia seus cabelos, nada estava fora do lugar. Deixa eu mostrar quem sou, parecia dizer com seu andar gracioso, quase adolescente. Quem viu achou que ela nada sabia. Mas seu olhar seguro não deixava dúvidas: já havia entendido há muito tempo que o tempo que ele não estava com ela estava em mim. E em mim repousava, retalhado pelos anos arrastados sem viço, quando só queria palavra que pulsasse, abraço que aquecesse, coração que latejasse. Ela sabia. E cada passo que dava contava a história de amor que sabia ter vivido e que fazia questão absoluta de guardar, mesmo que dentro de um corpo inerte e sem luz. Era dela a presença absoluta, a voz grave, o olhar cândido. Olhei na direção do mar e vi as ondas batendo no barco vazio. O barco ali, à espera de seu capitão. Eu não sei navegar. Especialmente em meio à chuva. Ela abraçava o próprio corpo com a beleza que juntou através dos anos, que pareciam estacionados em algum lugar entre os cabelos escuros. Quem é capaz de enganar o tempo tem o direito de contar sua história em paz. E eu saí.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Em paz...

Em paz
porque não calo em mim
meus quereres.

Palavras
pesam quando guardadas.

Não precisa
me amar de volta.
Eu sempre vou ser feliz...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Audácia












Trago em meu peito
a marca dos que não temem.
As palavras não me assustam
o escuro não me oprime
o silêncio não me congela
o amor não me cega
a verdade não me destrói.
Eu não me privo.
A vida é muito curta
e eu não discuto com ela.
Eu vivo.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Música que embala minha tarde...












Nosso Estranho Amor
(Caetano Veloso)

Não quero sugar todo seu leite
Nem quero você enfeite do meu ser
Apenas te peço que respeite
O meu louco querer

Não importa com quem você se deite
Que você se deleite seja com quem for
Apenas de peço que aceite
O meu estranho amor

Oh! Mainha deixa o ciúme chegar
Deixa o ciúme passar e sigamos juntos
Oh! Neguinha deixa eu gostar de você
Prá lá do meu coração não me diga
Nunca não

Teu corpo combina com meu jeito
Nós dois fomos feitos muito pra nos dois
Não valem dramáticos efeitos
Mas o que esta depois

Não vamos fuçar nossos defeitos
Cravar sobre o peito as unhas do rancor
Lutemos mas só pelo direito
Ao nosso estranho amor

Oh! Mainha deixa o ciúme chegar
Deixa o ciúme passar e sigamos juntos
Oh! Neguinha deixa eu gostar de você
Prá lá do meu coração não me diga
Nunca não

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Regrets


Minhas palavras afobadas
não sabem
que não posso.

Não disse de propósito
mas não retiro
o que falei.

Já disse
e não volto atrás.

Mas o que eu faço com esse medo
de que agora
nunca mais...?

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

As aparências enganam...

















Confissão

Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!

(Mário Quintana)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Leminskiando...





Ano Novo
Anos sonhando
um ânimo novo

(Paulo Leminski)

A todos que passam por aqui meus sinceros desejos de um ano realmente cheio de entusiasmo e sucesso!...

Eu, por enquanto, continuo aqui em Aracaju, de férias, sob esse sol que promete um ano dourado e muito, muito cheio de vida e luz...
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